Criação de fundo soberano é tendência mundial, diz Mantega

Segundo ministro da Fazenda, fundo proposto pelo governo tem natureza fundamentalmente fiscal

Fabio Graner e Leonardo Goy, da Agência Estado,

30 de outubro de 2008 | 16h23

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez nesta quinta-feira, 30, na audiência pública na CAE, no Senado, uma defesa do Fundo Soberano do Brasil (FSB). Segundo ele, há uma tendência mundial de criação dos fundos, que é inevitável, da qual o Brasil não deveria ficar de fora.   Veja também: Entenda o que é fundo soberano Veja os reflexos da crise financeira em todo o mundo Veja os primeiros indicadores da crise financeira no Brasil Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise    Ele destacou que o fundo proposto pelo governo tem hoje uma natureza fundamentalmente fiscal, de poupança anticíclica. Mas ressaltou que, no futuro, quando começarem a entrar no Brasil os recursos da exploração de petróleo da camada pré-sal, o FSB também terá natureza cambial, evitando uma valorização excessiva da taxa cambial, que pode destruir a indústria manufatureira.   "Vejo os senhores dizendo 'vamos diminuir o gasto corrente'. A gente já está economizando. Só falta o Fundo Soberano para colocarmos o dinheiro lá. Estamos subtraindo do governo a capacidade de ele gastar 0,5% do PIB", argumentou. O projeto de criação do FSB foi aprovado na quarta-feira na Câmara dos Deputados.   Mantega ressaltou a importância da função anticíclica do Fundo. Segundo ele, o governo pode usar esse instrumento caso haja uma queda na atividade econômica.   O ministro disse que ainda mantém previsão de que o Brasil pode crescer de 4% a 4,5% em 2009 e acrescentou que o governo vai trabalhar ao máximo para atingir esse objetivo. "Ainda acho que dá para perseguir esses índices (de crescimento)", afirmou.   Também na linha de garantir o crescimento, Mantega defendeu a atuação do governo no sentido de prover liquidez aos bancos. "A preocupação do governo não é ajudar os bancos, mas sem crédito a economia pára. É importante que eles tenham a liquidez necessária para manter a atividade econômica. Nossa missão é tentar fazer o País crescer o máximo possível. Nosso objetivo é manter o emprego, a renda, preservar o poder aquisitivo da população", explicou.   Provocado pelo líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), Mantega fez um elogio ao Proer do governo de Fernando Henrique Cardoso. Ele disse que o programa naquela ocasião foi, de fato, necessário. Diante da insistência do parlamentar tucano para que ele comentasse o tema, o ministro respondeu brincando: "não posso mais fazer elogios, senão vão querer me filiar ao PSDB". Virgílio respondeu no mesmo tom: "eu sempre ando com a ficha de filiação no bolso".   Também em tom de brincadeira, o presidente da CAE, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), destacou que, enquanto a sessão era transmitida ao vivo pela TV Senado, a Bolsa subiu 7,7%. E depois que a TV Senado passou a transmitir a sessão do plenário, a Bolsa desacelerou a alta.

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