Criação de pirarucu tem novas regras

Com apoio do governo federal, empresa do Mato Grosso do Sul quer exportar 80% da produção

VENILSON FERREIRA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2011 | 03h07

A criação do pirarucu, peixe da bacia Amazônica, vai ganhar escala comercial em Rondônia. A empresa Mar e Terra, com sede em Itaporã (MS), investirá R$ 25 milhões na construção de um frigorífico e uma fábrica de ração em Ouro Preto do Oeste (RO).

A inauguração está prevista para o fim de 2012. Em 2015, a empresa espera processar até 10 mil toneladas e 80% da produção será destinada à exportação.

Jorge Souza, presidente da Mar e Terra, estima que, este ano, o faturamento será de R$ 50 milhões, dos quais apenas 10% virão da exportação de cortes de pintado, pacu e tambaqui. Ele prevê que, em quatro anos, a receita das vendas externas atingirá de R$ 50 milhões a R$ 60 milhões, impulsionada pelos embarques de filés de pirarucu.

A empresa espera produzir este ano em sua sede no Mato Grosso do Sul 100 toneladas de pescado, volume que subirá para 400 toneladas no ano que vem. Nos próximos dias, Jorge Souza receberá a visita de representantes da rede de supermercados americana Wholefoods, que virão vistoriar a sustentabilidade do projeto de criação de pirarucu. A Wholefoods comercializa produtos orgânicos e pretende importar 3 mil toneladas de filé do peixe amazônico em 2013.

A criação do pirarucu também contribuirá para diversificar as atividades de pequenos produtores em Rondônia, que reservarão um hectare de suas terras para a construção dos tanques que podem render por ano 8 toneladas de pescado.

A criação do pirarucu em escala comercial só passou a ser viável a partir da Instrução Normativa assinada ontem pelo ministro da Pesca, Luiz Sérgio, e o presidente do Ibama, Curt Trennepohl. A normativa estabelece os procedimentos para cadastramento de matrizes e reprodutores de pirarucu em Rondônia.

A identidade genética será registrada em microchip, o que tornará possível rastrear a origem e assegurar que se trata de produto de cativeiro. Considerado o maior peixe da Amazônia, podendo chegar a três metros e 200 quilos, o pirarucu é uma espécie ameaçada de extinção.

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