Criação de rede de dados da Unasul deve ser oficializada nesta 3ª feira

Prestadoras de serviços de telecomunicações possam utilizar a estrutura, sem precisar recorrer às redes da América do Norte 

Eduardo Rodrigues, da Agência Estado,

29 de novembro de 2011 | 11h25

BRASÍLIA - A integração das redes de fibras óticas dos países da América do Sul criará um anel neutro para a transmissão de dados na região, permitindo que diversas prestadoras de serviços de telecomunicações possam utilizar a estrutura, sem precisar recorrer às redes da América do Norte. De acordo com a proposta brasileira, haverá pontos de troca de tráfego (PPTs) em cada lado das fronteiras para dar entrada a essas companhias nessa nova estrutura regional. A proposta de criação dessa ampla rede de dados está sendo discutida agora, em Brasília, em reunião de ministros das Comunicações dos 12 países que formam a União das Nações Sul-americanas (Unasul). Os ministros devem assinar um documento de intenções sobre a criação dessa rede no final da manhã.

"Queremos baixar os preços, estender a abrangência territorial do serviço e aumentar a largura de banda disponível para a população", afirmou há pouco o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, durante reunião de ministros da União das Nações Sul-americanas (Unasul). Segundo o ministro, pela necessidade de trafegar por redes que passam pela América do Norte, atualmente um provedor sul-americano paga pelo menos três vezes mais pela conectividade internacional do que um provedor localizado nos Estados Unidos. "Essa não é uma situação racional, seja do ponto de vista econômico, seja do ponto de vista estratégico e da proteção de nossas informações", completou.

Conforme Bernardo antecipou ontem à Agência Estado, o custo estimado para a integração das redes existentes na América do Sul nos próximos dois anos é de apenas R$ 100 milhões. Além disso, o governo brasileiro estuda a implantação de dois novos cabos submarinos ligando o País à Europa e aos Estados Unidos. "Mas de pouco adiantaria um país se beneficiar com a chegada de um cabo transcontinental em seu território se o país vizinho não contar com forma de acesso à mesma infraestrutura em condições economicamente viáveis", acrescentou Bernardo durante apresentação hoje no Itamaraty.

Já o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, destacou que a maior integração física entre as nações do continente possibilitará à região enfrentar com mais capacidade os atuais desafios da economia mundial. "A iniciativa também favorece a implantação de uma matriz própria do continente na área de tecnologia da informação", concluiu.

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