Criação de vagas formais cai em outubro

Foram apenas 66,9 mil novos empregos com carteira assinada no mês, o que levou o Ministério do Trabalho a reduzir expectativa para o ano

CÉLIA FROUFE, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2012 | 02h06

O último trimestre do ano começou mal para o mercado de trabalho formal. O governo registrou a criação de apenas 66,9 mil postos com carteira assinada em outubro, o pior saldo do ano. A tendência é que novembro também seja um mês fraco e, como de praxe, dezembro deve revelar um volume de demissões superior ao de contratações por causa dos desligamentos feitos com a redução do ritmo de produção no Natal e no ano-novo.

O cenário negativo para o fim de 2012 levou o diretor do Departamento de Emprego e Salário do Ministério do Trabalho e Emprego, Rodolfo Torelly, a reduzir de 1,5 milhão para 1,4 milhão a expectativa para o saldo geral do ano.

Isso significa que, na prática, o País deverá perder 300 mil postos formais até lá, já que o total até agora é de 1,7 milhão de vagas, criadas em meio a um quadro externo turbulento. "Em novembro, com certeza, ainda teremos saldo positivo de empregos", previu Torelly. "Mas dezembro deve dar marcha à ré", avisou.

Para o mês passado, a expectativa era de um saldo mais próximo de 140 mil novas vagas, que é a média para outubro. O resultado revelado ontem pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), no entanto, foi o segundo pior para o mês de outubro dos últimos dez anos, perdendo apenas para o que aconteceu em 2008, início da crise econômica internacional. "Realmente ficamos um pouco surpresos", admitiu o diretor.

Vale ressaltar que essa criação tímida de postos em outubro foi resultado da diferença entre 1,71 milhão de contratações e de 1,64 milhão de demissões. "A rotatividade está comendo solta", resumiu Rodolfo Torelly.

Frustração. Os setores que mais frustraram o diretor no mês passado foram serviços e construção civil. No primeiro caso, porque o saldo de empregos em outubro foi de 32,7 mil, menos da metade dos 77 mil vistos um ano antes. Já na área de obras, houve fechamento de 8,3 mil vagas no mês passado. As demissões foram mais concentradas em São Paulo e no Distrito Federal, com o argumento de que as chuvas atrapalham o ritmo de construção.

O comércio conseguiu ampliar seu mercado em 49,6 mil postos em outubro e é o único setor que ainda pode continuar contratando por causa, justamente, da sazonalidade das vendas de fim de ano.

Já o mercado de trabalho agrícola encolheu em 20,1 mil postos em outubro. A redução era aguardada por causa do fim do período de colheita do café, intensiva em mão de obra.

Regiões. Apenas em Minas Gerais, o cultivo do café foi responsável pela perda de 11,6 mil postos, levando o Estado a um saldo negativo total de 5 mil vagas.

Como esse desempenho, que também afetou os paulistas, o Sudeste perdeu, no mês passado, a tradicional liderança da criação de vagas para o Sul do País. O placar ficou em 26,8 mil contra 25,3 mil. A estabilidade do emprego no Centro-Oeste, que viu desaparecerem apenas 469 postos em outubro, também foi atribuída à agricultura.

Torelly conseguiu pinçar nesse quadro mais negativo para o mercado de trabalho uma perspectiva positiva para a economia brasileira. Salientou que as 17,5 mil vagas abertas pela indústria no mês passado representaram o triplo do saldo visto em outubro de 2011.

"Fiquei animado com o movimento da indústria. Isso pode ser o início da melhora", comemorou. Ele salientou que o setor costuma puxar as demais áreas de atividade econômica. "Normalmente, quando a indústria cresce, todo o resto floresce", resumiu o diretor do Ministério do Trabalho e Emprego.

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