Criador de ilhas artificiais de Dubai quer investir no Brasil

Diretor da construtora Nakheel, dos Emirados Árabes, procura locais e parceiros para empreendimento

Marianna Aragão, O Estadao de S.Paulo

08 de novembro de 2008 | 00h00

A Nakheel está longe de ser uma construtora tradicional. Afinal, a empresa, nascida há 18 anos em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, especializou-se em construir ilhas e praias artificiais, utiliza estratégias de marketing pouco convencionais - como dar condomínios luxuosos de presente para celebridades - e é comandada por um xeque árabe. Até os números são extravagantes: os empreendimentos em construção da companhia somam mais de US$ 30 bilhões. "Qualquer um pode levantar prédios. Mas nós fazemos mais que isso: criamos uma história por trás deles", diz o diretor-executivo da Nakheel, Robert Lee. Ele esteve em São Paulo nesta semana para participar de um evento para investidores imobiliários, o Cityscape Latin America. Canadense radicado em Dubai, Lee esteve à frente de algumas das "fábulas" erguidas pelo grupo nos últimos anos, como o The World - projeto de US$ 4 bilhões que criou um arquipélago em formato de mapa-múndi, entregue em janeiro de 2008. É a segunda vez que o executivo vem ao País em menos de um ano. Em maio, ele participou de outro evento do setor, no Nordeste. Segundo Lee, as visitas são um sinal do interesse da Nakheel em investir além dos países do Golfo Pérsico. E o Brasil, com mais de oito mil quilômetros de costa, faz brilhar os olhos dos árabes. "Dubai saiu do zero para se tornar um destino turístico mundial, com uma faixa litorânea minúscula. O Brasil tem muito mais a oferecer do que nós", acredita.Porém, recriar as obras faraônicas do grupo em outras regiões não depende só dos recursos naturais. A transformação da faixa de deserto de 70 quilômetros no centro do mapa turístico global só foi possível graças ao dinheiro do petróleo - a Nakheel é uma empresa da Dubai World, holding estatal dos Emirados Árabes Unidos. "Do ponto de vista de engenharia, é perfeitamente possível recriar esses projetos fora de Dubai. O que avaliamos é se eles também serão lucrativos em outros lugares, como são lá", diz Lee. O Brasil já oferece dois ingredientes para que essa equação feche. Segundo Lee, fundamentos econômicos sólidos e o crescimento da economia real foram responsáveis por colocar o País no radar da empresa. A abertura de uma linha entre Dubai e São Paulo, da companhia aérea Emirates Airlines, no ano passado, também fez crescer o interesse dos investidores. "O próximo passo deverá ser encontrar uma localização e um parceiro ideais no País", diz.A crise financeira mundial, segundo ele, deixou "nebuloso" o cenário para novos investimentos por um tempo, mas começa a dar sinais de mudança. "Os bancos não têm como deixar de emprestar. Já vemos o dinheiro voltando a circular." O marketing também tem papel importante - senão o principal - na estratégia da empresa. "Nosso negócio não envolve só desenvolvimento imobiliário, mas também desenvolvimento econômico, engenharia, ?branding?", diz o executivo. A campanha de vendas do arquipélago The World é um bom retrato disso. A Nakheel presenteou algumas das 300 ilhas, avaliadas em milhões de dólares, a estrelas como Pelé e o ex-piloto de Fórmula 1 Michael Schumacher. O objetivo era despertar o interesse de outros endinheirados, porém, anônimos, para o empreendimento.EMPREENDIMENTOS EM DUBAI The World: empreendimento de 300 ilhas que formam o mapa do mundo. O arquipélago, entregue em janeiro deste ano, tem 232 quilômetros de extensão e receberá mansões, centros comerciais e resorts. A distância entre as ilhas é de 100 metros e o iate será o principal meio de transporte The Palm: complexo formado por três ilhas artificiais em forma de palmeira. O empreendimento inclui hotéis de luxo, vilas residenciais e apartamentos, marinas, parques aquáticos temáticos e shopping centers. Tem como âncora o Trump Internacional Hotel and Tower, do milionário Donald Trump. A primeira fase do empreendimento ficou pronta em 2006 e registrou valorização de 450% em três anos Burj Al Arab: "Torre das Arábias", em português, o hotel é tido como o mais luxuoso do mundo. Tem paredes de ouro, 102 elevadores e custo de construção de US$ 3 bilhões

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.