Criador enterra 114 mil pintos vivos

Preço da ração motivou o crime ambiental

O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2012 | 03h07

O proprietário de uma granja de Santa Catarina está sendo investigado pela matança de mais de 100 mil pintinhos. Imagens de celular, gravadas por um funcionário, mostram as aves sendo enterradas vivas em uma vala no município de Palhoça.

O motivo seria a o alto custo e a falta de ração no mercado. Segundo o delegado Luiz Carlos Jeremias, da delegacia de Garopaba, o caso pode configurar crime ambiental.

O inquérito aberto ontem vai apurar responsabilidades. A polícia tem informações de que 114 mil aves foram mortas.

O produtor responsável pela matança não atendeu à reportagem do Estado. O caso, segundo a polícia, reflete a crise provocada na avicultura catarinense pela falta de ração e alta do preço do insumo nos últimos meses. Os criadores preferem interromper a produção do que enfrentar prejuízos com a criação. Eles alegam que não podem deixar a criação morrer de fome.

A crise teve início com o aumento dos insumos para a fabricação da ração e atingiu em cheio um dos principais motores da economia do Estado.

De acordo com Marcos Antônio Zordan, presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina, o preço do milho e do farelo de soja, usados na ração, dispararam desde o início do ano. A saca do milho passou de R$ 23 para até R$ 36, e a tonelada do farelo saltou de R$ 550 para R$ 1.500.

"A criação de aves e suínos ficou praticamente inviável, já que a ração representa 70% do preço da carne", disse Zordan. "Com o aumento, as margens diminuíram e as empresas estão com dificuldades."

A crise foi agravada pela estiagem no oeste catarinense no início do ano, que derrubou a produção de milho. Em seguida, a safra americana também quebrou e deixou os grãos ainda mais caros. / DANIEL CARDOSO, ESPECIAL PARA O ESTADO

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