Criadores conseguem trocar nome da doença

Alteração para gripe A/H1N1 é vitória de produtores do Brasil, dos EUA e da Europa

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

01 de maio de 2009 | 00h00

Depois de um intenso lobby dos produtores de carne suína do Brasil, dos Estados Unidos e da Europa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aceitou modificar o nome da doença que está assustando todo o mundo. A gripe suína, como vinha sendo chamada, agora passa a ser identificada pela agência de saúde da ONU apenas pelo nome técnico: influenza A/H1N1. Os cientistas alertam que não sabem nem de onde veio e nem qual será o futuro do vírus. Mas a OMS, pressionada, já tomou sua decisão, mostrando que o surto passou a ter uma dimensão econômica e política. Vários países baniram a importação de carne suína do Mexico e dos EUA. Só os americanos temiam perdas de quase US$ 3 bilhões. China, Rússia, países asiáticos e mesmo a Ucrânia adotaram barreiras. Nesta semana, o governo do Egito ordenou a matança de mais de 320 mil porcos que existiam no país. Isso tudo porque o vírus teria elementos de porcos em seus genes. Para entidades internacionais, essa matança foi desnecessária. "Comer carne suína não representa qualquer perigo", afirmou Keiji Fukuda, vice-diretor da OMS. A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e a FAO (organização da ONU para Agricultura e Alimentação) haviam abandonado o nome, alegando que não se poderia chamar de gripe suína, já que não havia nenhum porco contaminado.No Brasil, os produtores comemoraram. "A ciência venceu. Ganhamos a batalha da informação. Agora precisamos vencer o vírus", afirmou Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Carne Suína, que enviou pessoalmente uma carta à OMS para se queixar no início da semana. Ele espera que, a partir de agora, países que impuseram os embargos façam uma revisão de suas políticas e retirem as barreiras.Na Europa, a gripe está sendo chamada de "nova gripe", enquanto a imprensa francesa já chama a doença de "gripe mexicana". Nos EUA, um dos principais exportadores de carne suína no mundo, o presidente Barack Obama apenas se refere à doença por seu nome técnico. Já a OIE sugeriu o nome de "gripe americana". Mas a OMS não quer estigmatizar nenhum animal ou região, como ocorreu com a gripe em 1918, que acabou foi chamada de espanhola. Fukuda acredita que o vírus acabará sendo conhecido como "novo H1". "Quando uma doença nova surge, sempre há uma confusão de nomes. Abandonamos o termo suíno porque ficou claro que o vírus está se transformando em um modelo cada vez mais humano." Ontem, a FAO voltou a reforçar a mensagem de que "não existem evidências apontando que o vírus circula em porcos". Mas recomenda que todos os produtores mantenham um monitoramento reforçado para detectar e identificar qualquer elemento que possa estar relacionado com o vírus A/ H1N1. "Não existem riscos para consumidores, baseados nos fatos atuais", afirmou o veterinário-chefe da FAO, Joseph Domenech. FRASESDick ThomsonPorta-voz da Organização Mundial da Saúde"Trocamos o nome porque o vírus é cada vez mais humano e tem menos a ver com o animal"Pedro de Camargo NetoPresidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína"A ciência venceu. Ganhamos a batalha da informação. Precisamos vencer o vírus"

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