Criadores de Mato Grosso criticam programa Boi Guardião

A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) criticou hoje o programa Boi Guardião, lançado pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, em Marabá (Pará). Na opinião do superintendente da entidade, Luciano Vacari, o programa "é mais uma ferramenta para intimidar o pecuarista". A meta do governo é implantar o programa em Mato Grosso a partir de julho de 2010.

VENILSON FERREIRA, Agencia Estado

09 de dezembro de 2009 | 20h07

Segundo Vacari, a Acrimat é parceira e apoia as iniciativas tanto Ministério da Agricultura como da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e das organizações não-governamentais ambientalistas, "mas não aceita que se façam exigências acima da lei, como proibir aos pecuaristas de abrir novas áreas de produção dentro dos limites legais".

Em entrevista à Agência Estado, o dirigente afirmou que os pecuaristas não têm sido consultados na formulação dos programas de restrição à comercialização de bovinos oriundos do bioma amazônico. No caso do Boi Guardião, ele afirmou que o programa impõe desmatamento zero e não apenas a punição para quem desmatou ilegalmente. "A lei respalda o produtor a utilizar sua área dentro dos limites existentes em cada bioma (20% na Amazônia e 35% no cerrado). É obrigação do governo monitorar o cumprimento da lei e punir quem não cumprir as regras. O governo não pode se exceder a lei", diz ele.

Na opinião de Vacari, "se (supermercados e ambientalistas) querem que o produtor não desmate um palmo de terra, eles devem compensar pagando por isso. O Boi Guardião não menciona em nenhum momento essa possibilidade". Em relação à exigência de georreferenciamento das propriedades no bioma amazônico imposto pelo Boi Guardião, Vacari questiona: "Quem vai pagar essa conta, já que é um sistema de alto custo?"

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