Epitácio Pessoa/AE
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Criadores de ovinos festejam bons preços

Produtores brasileiros de carne de cordeiro ocupam o vácuo deixado pela queda das importações do produto uruguaio

Fernanda Yoneya, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2011 | 00h00

O ano começou aquecido para os criadores de ovelhas no País. Com produção de carne ainda insuficiente para atender à demanda e diante da redução das importações do Uruguai - principal concorrente da carne nacional, os preços subiram e animaram os criadores. Segundo a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), o quilo da carcaça de cordeiro está cotado entre R$ 9 e R$ 14 e o quilo vivo, entre R$ 5 e R$ 8,50. "Há um ano, tanto o quilo da carcaça quanto o quilo vivo estavam valendo menos da metade do que valem hoje", diz o presidente da Arco, Paulo Afonso Schwab.

 

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Segundo Schwab, o Uruguai, que foi responsável por 10% da carne consumida no Brasil em 2009 - 88 mil toneladas no total -, reduziu as exportações no ano passado para menos da metade e isso acabou melhorando a remuneração dos produtores brasileiros. Além de exportar menos - levantamento do Instituto Nacional de Carnes do Uruguai (Inac) mostra que o país exportou no ano passado 19.182 toneladas de carne ovina, volume 38,47% menor em relação a 2009 -, a carne uruguaia está sendo destinada a outros mercados. "União Europeia, EUA e Canadá são mercados que pagam mais", diz ele.

"O mercado está bom", diz o criador Rodrigo Piqueira, da Cabanha Kaluana, em São Miguel Arcanjo (SP). Piqueira, que está há quatro anos na atividade, garante que o preço nunca chegou ao nível de hoje. "Conseguimos até R$ 8,50 o quilo vivo."

Qualidade. Para Piqueira, o produto nacional tem qualidade superior ao produto importado. "No Uruguai, como a lã é o principal produto, os animais são abatidos com mais de 16 meses, o que desvaloriza a carne. Nessa idade o animal não é mais cordeiro, é carneiro", explica. A cabanha possui 3.600 matrizes da raça santa inês e meio-sangue e 23 reprodutores, das raças poll dorset, texel, ile de france e dorper, todos PO, instalados em 4 mil metros quadrados de galpões. Os lotes são divididos em piquetes conforme a categoria animal.

Para ser considerado cordeiro, o animal deve ser abatido com 110, 120 dias de idade - "Até 150 dias dá para abater como cordeiro", diz Piqueira - e peso médio, macho ou fêmea, entre 35 e 40 quilos. O produtor diz que entrega animais para frigoríficos em Boituva, Jaguariúna e Promissão. A dieta dos filhotes é à base de ração, silagem e feno. Ele adota também o "creep feeding", que oferta ração à vontade para animais com 7 a 40 dias de idade. As matrizes são criadas a pasto.

"A genética é importante para ter carne de qualidade, mas a nutrição também é crucial." E para manter a boa genética do plantel, 30% das melhores fêmeas são reservadas para a reposição de matrizes. E 5% dos melhores machos são reservados para a venda para outros criadores. "Nossa capacidade é para 5 mil matrizes", diz.

O corte mais valorizado é o carré, parte do lombo do animal que corresponde à picanha no bovino. O preço varia de R$ 50 a R$ 70. Para tornar o produto mais acessível, os produtores investem em hambúrguer, linguiça, kafta e croquetes, feitos com carne de animais mais velhos. "Fazer hambúrguer, linguiça, espetinho é uma opção entre os mais de 25 cortes possíveis", diz o criador Valdomiro Poliselli Júnior, de Jaguariúna (SP), que possui mil animais PO. O quilo do hambúrguer, diz, sai a R$ 14,50.

Ciclo completo. O produtor faz o ciclo completo - cria, recria, engorda e abate - e, para garantir a oferta de cordeiros com características padronizadas, investe, há quatro anos, em sistema de integração com ovinocultores de todo o País. Ao todo, são 42 produtores parceiros, responsáveis pela produção de 16 mil animais por ano. "Estou ampliando esse projeto para produzir 100 mil cordeiros em 2012." A empresa abateu em 2010 42 mil cordeiros.

"O programa Cordeiro Prime subsidia a compra do reprodutor e garante a compra de toda a produção. O integrado produz sabendo para quem vai vender", diz o criador, que vende cortes resfriados para um empório na capital. A demanda por cordeiros é tamanha que o criador paga prêmio de 10% sobre o preço de qualquer região do País.

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