Criadores não aceitam interdição de seis meses por causa de aftosa

Os criadores de gado que tiveram plantéis interditados em decorrência do foco de aftosa constatado na Fazenda Vezozzo, em Eldorado, no Mato do Grosso do Sul, não vão aceitar a interdição de seis meses proposta pela Agência Estadual de Sanidade Animal e Vegetal - IAGRO. De acordo com Fábio Barbante, da Fazenda Jangada, os criadores não vão suportar o prejuízo. "Nós fizemos o dever de casa e não temos culpa pelo que aconteceu", disse A febre aftosa na região foi responsável pela suspensão da compra de carne brasileira por diversos países do mundo.Barbante é vizinho de cerca da Fazenda Vezozzo e seu rebanho foi "congelado", isto é, não pode ser vendido ou transportado por um prazo de até seis meses. De acordo com o produtor, as fazendas da região trabalham com gado de elite, de alto valor agregado e são dirigidas por veterinários. Segundo ele, todos os criadores têm documentos que atestam a vacinação do rebanho contra a febre aftosa. "Se a vacina não funcionou cabe ao governo fiscalizar a indústria".Além da Fazenda Vezozzo, que teve 260 animais abatidos nesta terça, os outros 322 serão mortos nesta quarta, outros criadores estão amargando prejuízos com a interdição. "Já havia emitido a nota de venda de 207 bezerros, mas não pude entregar", contou Manoel Simões Júnior, vizinho dos Vezzoso, ele teve congelado um plantel de 3800 cabeças. "É gado de cria, e se não puder vender não vou ter pasto suficiente." Surpresa - A família de Emilia Vezozzo, dona da fazenda onde foi constatada um surto de febre aftosa, cria gado de elite na região há 40 anos. A fazenda Vezozzo, voltada para a criação Limousin e Pardo Suíço, ficou conhecida pela qualidade e precocidade de seus novilhos. Emilia disse que todo o rebanho foi vacinado, inclusive os bezerros. Ela colocou as nota fiscais de compra da vacina à disposição da IAGRO.A criadora teve uma crise nervosa quando os agentes sanitários iniciaram o sacrifício dos animais. Seu irmão, Fábio Turchino disse ao Estado que a família já teve problemas com aftosa há muitos anos, no Paraná, por isso tomava muito cuidado com a doença. "Era impensável que isso pudesse acontecer aqui". Segundo ele o encarregado da parte sanitária da fazenda é um filho de Emília, médico veterinário e empresário no setor de carnes. Além de exportar carne bovina ele também exporta sêmen. "É uma pessoa de competência reconhecida".O modelo da fazenda é de produção fechada, ou seja, não entra gado, apenas saem para venda os produtos das crias. "Quem disse que a fazenda podia ter recebido gado do Paraguai não conhece o sistema", alegou. De acordo com Turchino, os familiares vão acompanhar as investigações dos órgãos do governo para apurar como o agente causador da febre aftosa se instalou na propriedade.Ele considera possível que algum caminhão, contaminado pela doença no Paraguai, possa ter entrado na fazenda para carregar bezerros sem ser devidamente desinfetado. "Como o gado foi vacinado, então alguma coisa saiu errada. Ou a vacina não era boa ou o vírus pode ter se tornado resistente."O acesso à Fazenda Vezozzo estava proibido. Fiscais do IAGRO e agentes da Policia Civil bloqueavam o portão. Na estrada de acesso à BR-163 tinham sido montados dois bloqueios. Os veículos eram obrigados a parar e pulverizado com desinfetante à base de iodo e detergente. Na rodovia Federal por onde circulam caminhões de gado não foram instalados barreiras. O IAGO informou que não era necessário pois a área do foco estava bloqueada.

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