Crime internacional: contrabando na rota da seda

Crime internacional: contrabando na rota da seda

Província chinesa de Yunnan faz fronteira com o triângulo dourado, região conhecida por sua farta produção de narcóticos

ECONOMIST.COM

01 Dezembro 2014 | 13h45

RUILI, CHINA - A cem metros do telhado em camadas, com detalhes dourados, do posto oficial que marca a fronteira entre China e Mianmar em Ruili, uma zona extraoficial de comércio internacional prospera - passando por uma cerca de metal de 7 metros que separa os dois países. Pequenos grupos de chineses se reúnem para comprar cigarros, café e remédios chineses dos mascates birmaneses do outro lado das barras. Mais adiante na mesma estrada, um homem de camiseta vermelha atravessa de Mianmar para a China em plena luz do dia passando por um buraco retangular na grade.

A província de Yunnan, sudoeste da China, tenta expandir suas importações e exportações com os países vizinhos: Laos, Mianmar e Vietnã. São mais de 4 mil km de fronteira entre a província e esses países (na foto acima, melões de Mianmar são carregados por trabalhadores chineses num caminhão em Ruili). Mas os chineses não estão necessariamente interessados em importar todos os produtos de seus vizinhos. O setor mais movimentado é o das drogas. 

Yunnan faz fronteira com o triângulo dourado, região conhecida por sua farta produção de narcóticos. Moradores da fronteira birmanesa apontam para árvores frutíferas que agora ocupam a antiga localização do plantio de ópio, mas o volume de drogas apreendido tem aumentado. O policiamento de fronteira de Yunnan confiscou 6,2 toneladas de drogas em 2013, quase o dobro do volume apreendido em 2011. Mais da metade da metanfetamina apreendida na China no ano passado veio de Mianmar, e foi confiscada em Yunnan. O contrabando de drogas entre Vietnã e China, boa parte do qual passa por Yunnan, também aumentou bastante.

São muitas as outras formas de atividade ilegal cometidas na região. O contrabando de armas está aumentando; avisos em paredes perto da fronteira entre Laos e China anunciam a oferta de armas e munição. A maior parte da madeira que chega à China vinda do Laos e de Mianmar é extraída ilegalmente, de acordo com um relatório do think-tank londrino Chatham House. Os bens contrabandeados também partem da China. Um político birmanês disse ao parlamento em outubro que mais de 80% das 4 milhões de motocicletas de Mianmar tinham sido importadas ilegalmente. Muitos comerciantes declaram um valor muito mais baixo para os bens importados com o objetivo de pagar impostos mais baixos.

Mas o pior é o comércio de seres humanos. No dia 24 de novembro policiais chineses detiveram uma gangue acusada de vender 18 birmanesas para casamento nas regiões rurais por 50 mil a 90 mil yuans cada (US$ 8.000 a US$ 13.000). Em 2013 o policiamento de fronteira de Yunnan localizou mais de 100 pessoas contrabandeadas, e deteve outras 6 mil que cruzaram a fronteira ilegalmente.

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Da Economist.com, traduzido por Augusto Calil, publicado sob licença. O artigo original, em inglês, pode ser encontrado no site www.economist.com

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