Criminosos aplicam golpes pela Internet

Um novo golpe em São Paulo vem sendo executado pela Internet. Dezenas de pessoas procuram a polícia todos os dias para reclamar de desfalques em suas contas bancárias. Nos distritos da capital onde se concentra o maior número de bancos são registrados, em média, 150 queixas de saques indevidos por mês. Usando o sistema home banking ou internet banking, os estelionatários transferem para a conta corrente recursos da poupança e de outras aplicações financeiras. Em seguida, sacam tudo. Chegam a fazer empréstimos online em nome do dono da conta e sacam também este dinheiro. Além do prejuízo, o correntista lesado fica ainda com o débito do empréstimo feito pelo bandido. Quem paga o prejuízoSão milhares em todo o País as vítimas dos "criminosos eletrônicos", como são chamados pela polícia os responsáveis pelos golpes. Os bancos informam que estão adotando providências. A Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban) e os bancos prepararam vídeos e folhetos para os correntistas alertando-os de como usar a tecnologia e, principalmente, a Internet. O delegado Mauro Marcelo de Lima e Silva, do Setor de Investigação Sobre Crimes de Alta Tecnologia (Sicat), da Polícia Civil, afirmou que o maior número de queixas é contra o Banco do Brasil e o Itaú. "A maioria dos golpes varia de R$ 500,00 a R$ 70 mil." As vítimas têm conseguido fazer com que os bancos paguem o prejuízo. "O número de queixas não é maior porque os bancos sofrem do que chamamos de síndrome da má reputação e preferem arcar com o prejuízo a sofrer com uma propaganda negativa", explicou o delegado. Estelionatários tradicionaisLima e Silva descarta a possibilidade de ação de hackers. "Não temos até agora nenhum caso que poderíamos dizer que foi um hacker invadindo o sistema financeiro e desviando o dinheiro", contou o delegado. "Isso ainda não ocorreu." Ele explicou que os estelionatários e falsários "tradicionais" estão descobrindo que, com a nova tecnologia podem tirar vantagens do anonimato proporcionado pela Internet para praticar os mais variados delitos financeiros. Os crimes vão desde compras fraudulentas usando cartões de crédito de terceiros até desvios financeiros. Neste último caso, relatou o delegado Lima e Silva, as quadrilhas agem já com o conhecimento da senha da vítima. Com os dados, acabam executando transferências irregulares para contas previamente abertas. Geralmente, são cadernetas de poupança em outros Estados, onde os cúmplices já esperam para sacar o dinheiro.As investigações da polícia revelaram que as senhas estão sendo adquiridas por meio de furto dos cartões e documentos. "Mas há também a suspeita do envolvimento de funcionários das instituições financeiras." Os grupos estão conseguindo, com equipamentos instalados nos caixas, coletar informações como o número das contas e senhas e clonar cartões.

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