Nicholas Kamm/AFP
Nicholas Kamm/AFP

'Criptomoeda é um veneno', afirma Warren Buffett

Megainvestidor americano afirma que febre do investimento terá 'final infeliz'

Agências Internacionais

07 Maio 2018 | 22h54

O megainvestidor Warren Buffett deu um recado duro à plateia durante encontro de acionistas de seu grupo, o Berkshire Hathaway, realizado no fim de semana, nos Estados Unidos: a busca por lucros por meio das criptomoedas, conhecidas como bitcoins, é uma “demência”. 

+ Criptomoeda é novo foco de faculdades

Segundo o megainvestidor, trata-se de um ativo que não agrega valor à economia, como fazem as ações de empresas, por exemplo.

Em respostas que não pouparam adjetivos pouco lisonjeiros ao bitcoin, que considera puramente especulativo, o investidor frisou que esse tipo de negócio “é veneno de rato ao quadrado”. Apesar da oposição de Buffett, as criptomoedas vêm ganhando terreno: em 2014, o bitcoin valia US$ 600; hoje, é negociado a cerca de US$ 10 mil. 

+ Goldman Sachs fará operações com bitcoins na Bolsa

Buffett, que já tinha comparado a bitcoin ao ouro, foi ainda mais longe: ele comparou a febre das moedas digitais à das tulipas, no século 17, nos Países Baixos. Logo após a introdução das tulipas no solo holandês, ampliou-se a venda de bulbos da flor. A procura foi tamanha que, por volta de 1630, surgiram contratos futuros de tulipas. Anos mais tarde, diante da redução da confiança nesses contratos, eles perderam seu valor, levando muita gente à falência.

+ THE ECONOMIST: Por que os venezuelanos mineram tanto bitcoin

Diante das duras críticas de Warren Buffett, o valor do bitcoin, que havia chegado próximo da marca de US$ 10 mil nos últimos dias, caiu 6% no domingo e mais 2% ontem, fechando o dia a US$ 9,3 mil. 

Ao responder a uma pergunta da plateia, o investidor afirmou que o bitcoin e outras moedas digitais vão levar seus investidores a “finais infelizes”. Ele também deu a entender que os entusiastas das criptomoedas são jogadores, e não investidores com intenções sérias.

+ Ilan descarta regular bitcoin neste momento, mas diz que País vai monitorar criptomoeda

Elogios. Buffett, que é sócio de grandes empresas de consumo – entre elas a Kraft Heinz, em parceria com os brasileiros do 3G Capital –, pretende investir mais em tecnologia. Uma das meninas de seus olhos atualmente é a gigante Apple.

O fundo Berkshire Hathaway tem hoje 5% da fabricante do iPhone, participação avaliada em mais de US$ 45 bilhões. Neste fim de semana, no entanto, ele afirmou que tem apetite para mais. “Eles têm um produto especial, com um grande ecossistema”, disse Buffett. Atualmente, a Apple está avaliada em US$ 939 bilhões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.