CRIs: alternativa de investimento

Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), papéis de longo prazo lastreados em operações de financiamento imobiliário, serão o principal mecanismo de estímulo ao desenvolvimento do mercado brasileiro de capitais nos próximos anos, podendo ser tão atraentes quanto os títulos públicos.A avaliação é do empresário Fábio Nogueira, conselheiro da Brazilian Securities, companhia de securitização lançada na última semana, com o anúncio de uma linha de crédito de US$ 10 milhões do Inter-American Investment Corporation (IIC), o braço financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), para a compra de CRIs da companhia durante dez anos. Os certificados são a base do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), implantado em 1997 para substituir o Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Por este modelo, as securitizadoras emitem recebíveis para captar recursos no mercado e comprar carteiras de clientes de construtoras e incorporadoras, assumindo o passivo dos financiamentos. A securitizadora recebe os pagamentos dos mutuários e remunera os CRIs a taxas do mercado. Por serem papéis lastreados em financiamentos imobiliários, o risco de crédito é baixo e os certificados pulverizam o risco dos investidores, garantindo rentabilidade com maior segurança. Em sua avaliação, à medida que o governo federal promover o ajuste das contas públicas, diminuindo a pressão e, consequentemente, o custo da captação de recursos junto ao público, o mercado será forçado a procurar outros papéis em busca de melhor rentabilidade. "Por isso os CRIs serão uma das preferências nacionais", arriscou.Mais cauteloso, o gerente da Companhia Brasileira de Securitização (Cibrasec), André Arcoverde, entende que no Brasil os investidores ainda não têm a cultura de aplicar em papéis prefixados e de longo prazo. Por isso, o mercado de CRIs deve se desenvolver em um prazo menos longo. "O mercado deve ter mais confiança na economia brasileira para arriscar a comprar papéis de longo prazo, como os CRIs, afirmou. Ele destaca que no Brasil os papéis de curto prazo são mais atraentes porque as taxas de juros são altas, ao contrário do que ocorre no mercado internacional, que remunera melhor os papéis de longo prazo. "Como o governo federal sempre precisa tomar empréstimos, ele paga juros elevados para títulos de curto prazo", avaliou.

Agencia Estado,

10 de outubro de 2000 | 19h21

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