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Crise abala ''geração iPod'' na Europa

Desemprego de jovens é crescente e empresas recorrem às promoções

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2008 | 00h00

Na Espanha, imobiliárias rifam apartamentos; na Irlanda, pubs congelam o preço da cerveja; nos palácios suíços, a venda de diamantes teve a pior queda em décadas; na Inglaterra, concessionárias oferecem dois carros pelo preço de um. Nos serviços de assistência social, a demanda é tanta que faltam meios para atender ao crescente número de imigrantes pobres e sem trabalho. A Europa está em recessão e, de acordo com o Banco Central Europeu (BCE), poderá ser mais profunda do que se imaginava. Desemprego, a terceira fase da crise financeira globalNa região de Barcelona, a Imobiliária Rob se deu conta de que não conseguiria vender o estoque de 1,2 mil apartamentos. Então, começou a vender rifas por 50, cujo prêmio é um apartamento. Para cada unidade, terão de ser vendidas 6,5 mil rifas para pagar a construção, pelo menos. Na Inglaterra, o site de venda de carros Broadspeed oferece dois carros pelo preço de um. Várias concessionárias copiaram o modelo. Até o fim do ano, a estimativa é de que 200 lojas podem fechar no país. A crise tem sido um choque para a chamada "geração iPod". São executivos europeus de até 35 anos, altamente educados, formados há uma década, que nunca viram uma crise. Estavam acostumados a privilégios, como carga e horário de trabalho reduzidos, que lhes permitia esquiar, viajar todo fim de semana e se dedicar a hobbies variados. Tiveram de aprender rapidamente o significado de recessão. Segundo o Google, o termo foi um dos mais pesquisados nos últimos dois meses na Europa.Um desses jovens executivos é um brasiliense que trabalha em um banco em Genebra. Na condição de anonimato, ele conta que foi ao Caribe por uma semana e, quando voltou, metade de seu departamento havia sido demitido. "Foi um choque", diz. O desemprego de jovens é crescente. Na Espanha e na Inglaterra, a taxa chega a 22%. Esses novos desempregados são os mesmos que, acreditando na prosperidade duradoura, se lançaram a comprar a casa própria. No Reino Unido, cerca de 1 milhão de casas foram vendidas só nos últimos três anos. Agora, estima-se que 3 milhões serão devolvidas até 2011.Parte das dívidas desses jovens desempregados ficará com seus pais. O Conselho de Hipotecários do Reino Unido estima que o número de pais que estão pagando dívidas dos filhos aumentou de 35% em 2007 para mais de 50% neste ano. Em um evento na Universidade de Genebra, na semana passada, os estudantes não disfarçavam a apreensão. "Os estudantes que se formarão em 2009 não terão mais acesso direto ao mercado de trabalho", lamenta David Schmidt, estudante de Direito. LUXOO impacto da crise está sendo sentido na venda de passagens aéreas. Nos últimos dois meses, dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) apontam que o número de passageiros está em queda. A redução já chega a 5%. "Com a recessão na Europa e nos Estados Unidos, uma queda do tráfego é esperada", informa a Iata. No elegante Bar Nonolet, no Bairro dos Bancos de Genebra, a palavra de ordem é esquecer mais um dia difícil. O setor financeiro já demitiu 150 mil pessoas ao redor do mundo. Para a Associação de Funcionários de Bancos na Suíça, esse número deve chegar a 300 mil até o fim de 2009. "Ninguém sabe quem será o próximo", diz o banqueiro Daniel Bouchet, enquanto toma uma caipirinha de US$ 17,00 (R$ 42,00). No mundo do luxo não é diferente. Os leiloeiros, que alugam luxuosos palácios para seus eventos, não conseguem mais os mesmos valores que há um ano e recomendam aos donos de diamantes que reduzam o preço. Na semana passada, a Christie?s e Sotheby?s realizaram alguns de seus maiores leilões de jóias, mas com preços 30% mais baixos.O mal-estar era nítido. Nos catálogos, adesivos cobriam os preços estipulados antes da crise. As novas estimativas, em alguns casos, são 50% menores. Empresas como a Bulgari e outras marcas vêm alertando que não conseguirão cumprir as metas de vendas em 2008. A Hermès anunciou que estava passando por um período de dificuldades e reduziria o lucro.Na venda de carros de luxo, a história é idêntica. Na Bentley, a queda chega a 48%; na Porsche, a 38%. O Grupo Richemont, que controla as jóias da Cartier e as canetas Mont Blanc, também viu o consumo cair 2% em outubro, depois de subir 10% no ano, até setembro. Na outra ponta, estão os que dependem da ajuda do Estado. No serviço social da chique Genebra, o número de pessoas em busca de abrigo e de sopa cresce a cada dia. Pelas regras, cada um pode ficar no máximo dez dias consecutivos no abrigo. Tarik, um marroquino de 34 anos, afirma que chegou à Suíça depois de perder o emprego na Espanha. Em Genebra, também não encontra trabalho.Na Espanha, 40% dos estrangeiros estão desempregados; em Portugal, um em cada três brasileiros está sem trabalho. A piauiense Sara Epifanio, de 24 anos, confirma a situação crítica. "Estou na Suíça há dois anos e nunca foi tão difícil encontrar trabalho", diz, ao lado da filha, de três anos.

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