Crise abate número de milionários

No mundo, 8,6 milhões de pessoas viram suas riquezas encolherem em 2008; só no Brasil, foram 12 mil

, O Estadao de S.Paulo

25 de junho de 2009 | 00h00

O número de milionários no mundo caiu drasticamente, mostrando que os ricos não conseguiram escapar dos efeitos da crise financeira global. Essa é uma das conclusões do relatório anual World Wealth Report, elaborado pelo banco Merrill Lynch Global e pela consultoria Capgemini. O relatório foi divulgado ontem. O número de pessoas cujas riquezas variam de US$ 1 milhão a US$ 30 milhões caiu 14,9% no mundo em 2008, para 8,6 milhões, segundo o levantamento. Esse foi o maior declínio apurado em 13 anos de pesquisa.Segundo a sondagem, as riquezas dos mais abastados caíram 19,5%, para US$ 32,8 trilhões - nível inferior ao apurado em 2005. "Nunca vimos essa diminuição em todos os anos em que fizemos o relatório", afirmou Ileana van der Linde, gerente da Capgemini. Perto do resto do mundo, a economia brasileira foi considerada uma das menos afetadas. No País, o clube de milionários encolheu 8,4% em 2008, para 131 mil. Com isso 12 mil pessoas deixaram de ser milionárias no País. No ano anterior, no entanto, o Brasil havia apurado um crescimento de 19,1% no número de ricos. As perdas, no entanto, foram bem menores que as apuradas em outros países, diz o relatório. Nos Estados Unidos, epicentro da crise mundial, a queda foi de 18,5% e no Reino Unido, de 26,3%, para 362 mil. Por causa das perdas maiores no resto do mundo, o Brasil passou a Austrália e a Espanha no ranking de países que mais concentram milionários, chegando à décima posição. Com isso, o País fica atrás de Estados Unidos, Japão e Alemanha - que ocupam os três primeiros lugares e têm 54% dos ricos do mundo - , seguidos de China, Reino Unido, França, Canadá, Suíça e Itália.Apesar das perdas severas, os Estados Unidos, com 2,5 milhões, continuam concentrando o maior número de milionários no ranking, seguidos do Japão, com 1,3 milhão de milionários, e da Alemanha, com 810 milhões. Outra novidade é que os milionários chineses ultrapassaram os britânicos e se tornaram a quarta maior população de ricos, com 364 milhões.O relatório também mostra que a América Latina foi a menos afetada entre todas as regiões, com queda de 0,7% no número de ricos, o que indica estabilidade. Isso porque os investidores na região tendem a ser mais conservadores, segundo o relatório. Os declínios mais significantes da população de ricos ocorreram na América do Norte e Europa. A crise ainda provocou perdas severas de riqueza entre a população multimilionária. O clube de multimilionários - aqueles que acumulam mais de US$ 30 milhões - encolheu 24,6% e suas riquezas caíram 23,9%, isso porque muitos investidores de ativos de alto risco experimentaram perdas severas no ano passado.O relatório aponta ainda a existência de 78 mil multimilionários, dos quais 30,6 mil estão na América do Norte, 18 mil na Europa e 14,3 mil na região da Ásia e Pacífico. O número de multimilionários chega a 9,8 mil na América Latina e cai para 3,5 mil no Oriente Médio e para 1,8 mil na África.

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