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''Crise abre caminho para juro real de 4% no Brasil''

Para economista, não há obstáculo para que o País caminhe na direção de um ?juro mexicano?

Fernando Dantas, O Estadao de S.Paulo

12 de março de 2009 | 00h00

No dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic, a taxa básica de juro, de volta para o seu mais baixo nível histórico, de 11,25%, Armínio Fraga, ex-presidente do BC, disse ao Estado que a crise financeira internacional abre caminho para que o Brasil transite mais rapidamente para "juros reais mexicanos", de 4% ao ano.Falando pouco antes da decisão do BC, Armínio disse que a queda dos juros na esteira da crise vai mostrar ao mundo que o Brasil pode ter juros "normais", e que já pagou o preço pelas "loucuras do passado" em termos de política econômica. A seguir, a entrevista:Para que nível de juros reais podemos ir?Não sei, mas não vejo nenhum obstáculo, desde que as coisas se comportem de forma razoável, para caminharmos na direção de um juro mexicano, um juro real de 4% ao ano. E por que demora tanto?Uma coisa que atrapalhava, entre aspas, é o baita boom de crédito a partir de 2003 e 2004, que dificultou a vida do Banco Central. Isto não significa, é claro, que não tenha sido uma coisa boa, mas com certeza foi um obstáculo na redução do juro. O crescimento do gasto público é outro problema. Mas, de qualquer maneira, existe hoje responsabilidade fiscal (apesar da falta de disciplina no gasto), estabilidade financeira, um sistema financeiro sólido, câmbio flutuante, US$ 200 bilhões de reservas, e metas para a inflação dando certo, que já passaram por vários momentos de estresse. É um regime macroeconômico bom, que vai permitir uma queda do juro ao longo do tempo. E a desaceleração da economia ajuda nessa queda?Sim, se acrescentarmos a situação cíclica, de uma economia bastante deprimida, tudo leva a crer que a inflação vai cair, e, portanto, o BC vai continuar cortando. Tudo conspira para uma queda nos juros.Mas, quando a economia se recuperar, o juro não voltará para os mesmos níveis históricos?Acredito que parte desse juro real elevado tem a ver com a nossa história de falta de disciplina, com uma certa incerteza intrínseca a países como o nosso. Mas, à medida que o tempo vai passando, que os governos vão mudando, mas as políticas vão sendo mantidas, dentro de um arcabouço geral razoável, com uma situação geral sólida, as lembranças das loucuras do passado vão ficando mais próximas do arquivo morto. E o pessoal vai acabar percebendo que um juro real de 4% ao ano ainda é um juro real bastante alto.E a política fiscal?O Fundo Soberano e o PPI permitem uma expansão fiscal no resultado primário, de aproximadamente 1 ponto porcentual do PIB, que considero perfeitamente razoável. Acho que o governo ganhou o direito de fazer isso tendo feito mais do que a meta de superávit primário no outro ano. Está tudo perfeito nesse departamento. Eu me preocupo com a expansão continuada do gasto público a médio prazo. Mas, do ponto de vista cíclico, que é o que está em discussão agora, acredito que está certo o que está sendo feito. Se for além disso, acho que já começa a ser contraproducente. Existem metas (de superávit primário), e o Brasil ainda é um país recém-saído da UTI fiscal, em termos históricos.

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