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Crise abre espaço para emergentes

Reunião do G-20 é primeiro passo para integrar os países em desenvolvimento na nova ordem econômica mundial

DANIELA MILANESE, O Estadao de S.Paulo

15 de novembro de 2008 | 00h00

A cúpula financeira que acontece hoje em Washington, no âmbito do G-20, é o primeiro passo para a integração dos países emergentes na nova ordem mundial. Existe hoje um consenso de que as nações em desenvolvimento precisam ter mais influência nas decisões globais, de forma a fazer valer o poder econômico que ganharam nos últimos anos.   Acompanhe online a cobertura do G-20Especialistas acreditam que a inserção dos emergentes, como o Brasil, se dará pela nova configuração das instituições financeiras. Esse seria o caminho mais rápido e eficiente, pois a crise deve provocar a remodelação de organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, criados na Conferência de Bretton Woods, em julho de 1944. "A crise nos países desenvolvidos aumenta o apelo para que os emergentes tenham mais presença nas decisões, até porque a Ásia e o Oriente Médio são vistos como parte da solução pelo tamanho de suas economias'', afirma o professor da London School of Economics, Francisco Panizza. Para ele, a cúpula financeira no âmbito do G-20, grupo que reúne os países mais ricos e os maiores emergentes, "é um primeiro passo na direção certa". "No longo prazo, é inevitável que essas nações tenham mais poder, o que estará refletido na reformulação das organizações internacionais." O tema esteve presente na reunião preparatória promovida pelo Fórum Econômico Mundial, no último final de semana, em Dubai. "A eleição de Barack Obama e o próximo encontro do G-20 oferecem novas oportunidades para as lideranças na reformulação da arquitetura financeira internacional", concluiu a entidade. "As maiores economias emergentes devem ter mais voz nas discussões sobre a reforma do sistema financeiro." Nesta semana, Gideon Rachman, colunista do jornal Financial Times, escreveu que a cúpula de Washington é um reconhecimento das mudanças no poder global. "Um sistema internacional que não acomode a China, Índia e outros emergentes claramente não pode funcionar no longo prazo." O prefeito da City de Londres, Alderman David Lewis, afirmou recentemente que é o G-20, e não o G-7, que representa as principais economias do mundo atualmente. O presidente da Inter-American Dialogue, Peter Hakim, avalia que a entrada das novas lideranças deve ocorrer pelas instituições financeiras. "É a forma mais rápida, pois uma reforma do Conselho de Segurança da ONU, por exemplo, seria bem mais difícil e complicada." Panizza, professor da LSE, concorda. Para ele, mudanças no Conselho de Segurança - uma das grandes demandas do Brasil na esfera internacional - não seriam vistas como prioridade pelos Estados Unidos e pela União Européia, hoje envolvidos na combate à crise financeira e à recessão econômica. A ONU é outra instituição muito desgastada, principalmente depois que os Estados Unidos decidiram invadir o Iraque sem o aval da organização. Mas o professor alerta que a maior inserção em instituições internacionais também representa mais responsabilidade. "Não dá para ter maior atuação no FMI e não concordar com o que ele diz." Hakim, da Inter-American Dialogue, avalia que nações como o Brasil precisam entrar de forma mais firme nesses organismos, pois já têm autoridade e capacidade para isso. "Não podemos ter sempre um americano como chefe do Banco Mundial e um europeu comandando o FMI, é preciso permitir a atuação de outros países." Para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que esteve nesta semana na Universidade de Oxford, o atual controle do Fundo por poucos países "não é aceitável". ''Senti diretamente que as decisões do FMI dependem hoje do Tesouro dos Estados Unidos", afirmou.BRETTON WOODSAs definições da cúpula devem ficar longe de se tornar um novo Bretton Woods, na avaliação de especialistas. Analistas dizem que o encontro deve priorizar as ações de curto prazo para combater a crise. É fato que as organizações precisam de reformas diante da turbulência global, mas esse processo só será finalizado no longo prazo, após novas discussões."A crise atual é bastante séria e terá um impacto muito significativo no mundo, mas não se trata de uma guerra", afirmou o Hakim. Além disso, avalia, antes de Bretton Woods as instituições internacionais - o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial - não existiam. Agora, trata-se da necessidade de reformulação das entidades criadas naquela época, um processo mais modesto.Na avaliação de Francisco Panizza, a reunião tentará obter uma resposta coordenada no curto prazo. No caso dos emergentes, ele acredita que a principal preocupação será conseguir um compromisso dos países ricos para a obtenção de socorro financeiro, caso necessário. "Não haverá um encontro tão profundo a ponto de ser um Bretton Woods 2", afirmou. "Uma reforma mais fundamental é um processo de cerca de dois anos e requer muito trabalho", disse.

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