Crise acabou com 'ditadura dos mercados', diz Sarkozy

Presidente francês afirma que papel do Estado na economia deve ser redefinido.

Daniela Fernandes, BBC

23 de outubro de 2008 | 13h48

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou nesta quinta-feira que "a ideologia da ditadura dos mercados e do Estado impotente morreram com a crise financeira".Para Sarkozy, "tudo converge para reflexões sobre a redefinição do papel do Estado na economia".Segundo o presidente francês, uma revolução intelectual e moral está em andamento e "de agora em diante, nada mais na economia mundial será como antes"."Pensávamos que a política não era algo necessário. Isso acabou", disse o presidente francês, considerado, no entanto, um liberal. "Haverá agora maior atuação política."Sarkozy fez as declarações durante um discurso nos arredores de Annecy, no sudeste da França, onde anunciou medidas de apoio à economia francesa, que deve, segundo projeções, entrar oficialmente em recessão no terceiro trimestre deste ano."A Europa não deve deixar suas empresas à mercê dos predadores", afirmou o presidente francês, que também ressaltou a atuação dos países europeus diante da crise.Fundo soberanoSarkozy anunciou nesta quinta-feira a criação de um tipo de fundo soberano francês, chamado de Fundo Estratégico de Investimento, para apoiar empresas consideradas fundamentais para a economia do país.O fundo deve ser lançado até o final do ano, segundo o presidente francês."Os produtores de petróleo fazem isso, os chineses e os russos também", disse Sarkozy. "Não vejo razão para que a França não faça o mesmo."Em um discurso no Parlamento Europeu na terça-feira, o presidente francês já havia defendido a criação de fundos soberanos europeus para investir em empresas afetadas pela crise econômica, mas a proposta foi rejeitada pela Alemanha.O fundo francês tomaria recursos nos mercados e interviria quando uma empresa considerada estratégica precisasse de capital.Segundo Sarkozy, o fundo não teria impacto sobre o déficit público francês porque a participação que os fundos teriam no capital das empresas serviria como contrapartida."A crise é mundial, estrutural e não é um parênteses que será fechado em breve", afirmou. "Não podemos, após esta crise, continuar a governar o mundo com os mesmos instrumentos, instituições e idéias do passado."Sarkozy também anunciou que o governo vai investir 175 bilhões de euros nos três próximos anos para favorecer a retomada da atividade econômica.Os recursos seriam investidos em pesquisas, universidades e na ampliação do setor digital na França.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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