Crise aérea abala confiança do consumidor há meses

Crise aérea muda meio de transporte para viagens e destino das férias, aponta pesquisa da FGV

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

25 de julho de 2007 | 19h01

Mesmo sem refletir ainda o impacto do acidente com o vôo 3054 da TAM, a confiança do consumidor já estava bastante abalada com o caos do setor aéreo em julho. Levantamento especial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), feito a partir da Sondagem Conjuntural das Expectativas do Consumidor em julho, mostra que, entre os dias 2 a 20 desse mês, 25% do total de 2.000 entrevistados planejam viajar de férias nos próximos seis meses. Desse total, 37,8% planejam usar o avião como meio de transporte - ante porcentual de 41,7% em junho deste ano. Ao mesmo tempo, passou de 35,5% para 39,5% a parcela dos entrevistados interessados em viajar de automóvel durante as férias, de junho para julho.   Ao se comparar com o cenário do ano passado, a diferença também é expressiva. Em julho de 2006, 42,9% planejavam usar o avião como meio de transporte nas férias, e 29,3% desejam usar o automóvel como meio de transporte.    Conheça as medidas adotadas pelo governo para reorganizar o transporte aéreo em SP   O coordenador de Sondagens Conjunturais da FGV, Aloísio Campelo, explicou que os resultados da pesquisa não refletem, em sua maioria, o impacto do acidente com o avião da TAM. "Mais de 90% das informações da pesquisa já tinham sido coletadas quando houve o acidente", disse. "Mesmo assim, o consumidor já estava manifestando interesse de viajar menos de avião", disse.   Para ele, o cenário no setor aéreo, também afetou a decisão do consumidor quanto ao destino de sua viagem de férias. Em julho do ano passado, 71,6% planejavam viajar pelo Brasil; esse porcentual subiu para 81,9% em julho deste ano.   Campelo considerou que uma viagem pelo País pode utilizar de transporte terrestre, diferente do que ocorre na maioria das viagens internacionais, que precisam ser realizadas de avião. "A crise favoreceu o turismo interno, em detrimento do turismo externo. Com o câmbio (desvalorização do real ante o dólar) como está, muita gente poderia estar interessada em viajar para fora. Mas isso não ocorreu", disse.   Para agosto, o economista espera resultados muito ruins para as respostas do consumidor sobre viagem de férias. Isso porque a pesquisa do mês que vem refletirá todo o impacto do acidente no humor do consumidor.

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