Crise aérea não reduzirá investimento estrangeiro, diz Amorim

Segundo ministro das Relações Exteriores, a crise não afetará o projeto do governo de ampliar a rede de conexões aéreas do Brasil com seus vizinhos da América do Sul e países da África

Denise Chrispim Marin, do Estadão,

24 de julho de 2007 | 18h32

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, declarou que não acredita na diminuição do interesse de companhias áreas estrangeiras em investir no Brasil por causa da crise que afeta o setor. Membro do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac), o chanceler afirmou, em entrevista no Palácio do Itamaraty, que aeroportos do Rio de Janeiro e dos Estados do Nordeste podem vir a ser alternativas para a redução dos vôos em Congonhas (SP) e para o aumento do fluxo em Guarulhos (SP).   Para Amorim, as críticas da imprensa estrangeira sobre a gestão da crise aérea no Brasil refletem o que é dito pelos jornais brasileiros e são "naturais" em um ambiente de liberdade de imprensa. Segundo ele, relevante é o fato de que "estão sendo tomadas as medidas para melhorar a situação".   Segundo Amorim, a crise não afetará o projeto do governo de ampliar a rede de conexões aéreas do Brasil com seus vizinhos da América do Sul e países da África. Antes da crise, o presidente Lula havia conversado com os presidentes da TAM, da Gol e da BRA sobre a operação de uma linha comercial entre o Brasil e a Nigéria.   O chanceler lembrou que, na última reunião do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac), no dia 20 de julho, quando o governo reduziu o fluxo de pousos e decolagens em Congonhas, também foi aprovada uma resolução cujo objetivo seria facilitar a criação de novas linhas para a América do Sul e a África.   "Isso vai acontecer normalmente", afirmou o ministro, conhecido no governo por seu elevado grau de otimismo. "Senão, seria como ter um problema na garagem de casa e deixar de se interessar na estrada que vai ser aberta bem em frente. Os problemas serão resolvidos", completou.   México   Amorim declarou ainda que o governo brasileiro não quer negociar, neste momento, um acordo de livre comércio com o México. Em sua visita de Estado à Cidade do México, nos próximos dias 6 e 7 de agosto, o presidente Lula deverá dar início às discussões bilaterais sobre a ampliação do Acordo de Complementação Econômica (ACE) de 2002, que permitiu a redução de tarifas de importação em relação a um pequeno grupo de produtos do comércio bilateral.   O ministro informou ainda, no Itamaraty, que o governo brasileiro pretende instituir um foro de CEOs (dirigentes de companhias) Brasil-México, dedicado à ampliação de negócios e investimentos bilaterais, no mesmo formato dos que foram criados com os Estados Unidos, em março passado, e com a Índia, em junho. "Acordo de livre comércio não está em pauta neste momento. Mas trabalhos pela ampliação do ACE", afirmou Amorim. "Aqui e ali, há sensibilidades, mas vamos acabar chegando ao livre comércio (no futuro)", acrescentou.   O convite para Lula visitar o México partiu do presidente Felipe Calderón, que esteve no Brasil na condição de eleito, em outubro do ano passado. Na ocasião, Calderón deixou clara sua intenção de ver um acordo bilateral de livre comércio concluído, apesar dos fracassos nas negociações menos ambiciosas de redução de tarifas no comércio bilateral. O México é um raro parceiro do Mercosul que pode firmar acordos comerciais em separado com cada sócio do bloco.   Na visita ao Brasil, Calderón prometeu dar seu aval à possível parceria entre a Petrobras e a estatal mexicana Pemex para a exploração de petróleo em águas profundas mexicanas - projeto que dependeria de reforma na Constituição mexicana. Segundo Amorim, durante a visita de Lula, deverão ser assinados acordos de cooperação nas áreas de energia - em especial, no setor petroleiro -, de biocombustíveis e de ciência e tecnologia.   O chanceler brasileiro, entretanto, desdenhou da iniciativa do México e de outros países mais liberalizados na área comercial, de apresentar uma proposta de ampla abertura dos mercados industriais na Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). "Existe uma frente", rebateu, ao ser questionado se a formação desse novo grupo seria um dos temas das conversas durante a visita. "Vi uns países lá que fizeram uma proposta. Eles têm o direito."

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