Crise afeta ''exportação'' de usados para o Sul

Venda de carros comprados em lojas de São Paulo cai pela metade

Marianna Aragão e Tiago Queiroz, O Estadao de S.Paulo

17 de janeiro de 2009 | 00h00

A queda livre nas vendas de veículos dos últimos meses está mexendo com o mercado paralelo de carros usados. A atividade dos garagistas, espécie de corretores de vendas autônomos, e dos revendedores que "exportam" os automóveis de São Paulo para outros Estados, em busca de melhores preços, também foi atingida pela crise financeira e pelo enxugamento do crédito. Estima-se que 1 milhão de veículos usados estejam à espera de compradores em todo o País."O serviço caiu pela metade", diz o motorista Saulo Oscar de Fragas, que há 13 anos transporta veículos de lojas da capital paulista para revendedores em cidades no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Fragas costumava levar cerca de 40 carros por mês para a região, a um custo de R$ 350 cada. Hoje, são apenas 20. Segundo o cegonheiro, em outros mercados o carro paulistano é considerado de melhor qualidade, além de mais barato.A principal fonte para os revendedores de outras praças é a Rua Barão de Limeira, reduto de veículos usados no centro de São Paulo. Lá, segundo lojistas, as vendas caíram até 60% - de 15 para 5 carros por dia . E o movimento dos cegonheiros também. "Muitos pararam de comprar já em novembro", afirma Rafael Borkowski, gerente de vendas da Ronaldo Veículos. Segundo ele, 20% dos veículos que saem da loja abastecem mercados em outros Estados.O trabalho dos garagistas, autônomos que negociam a compra e venda de automóveis, geralmente para pessoas físicas, também diminuiu. Segundo o analista da agência especializada em varejo automotivo Molicar, Vítor Meizikas, a instabilidade do mercado dificulta a formação do preço. "Ninguém sabe direto qual o nível real (de preço)", afirma. "Só está comprando quem pode."GORDURASegundo especialistas, as revendas de carros usados estão tendo de se adequar ao novo nível de vendas. Muitas já tiveram até mesmo de fechar alguns de seus pontos de vendas, afirma Meizikas. "A facilidade de financiamento que vimos nos últimos anos trouxe muita gordura, que agora precisa ser queimada." Após esvaziarem seus estoques, ele estima que as lojas passem a trabalhar com um volume 30% menor de veículos."É uma nova realidade para eles", diz o presidente da Associação dos Revendedores de Veículos Automotores no Estado de São Paulo (Assovesp), George Assad Chahade. Segundo a entidade, o número de negócios no comércio de veículos usados caiu 11,08% em dezembro ante o mês anterior. A participação das vendas a prazo no total de veículos comercializados também caiu, de 80% para 56% em dezembro.

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