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Crise afeta menos a base da pirâmide

Beneficiadas pelo aumento do salário mínimo e do Bolsa Família, classes D e E ajudam a conter retração da economia

Paula Pacheco, O Estadao de S.Paulo

11 de maio de 2009 | 00h00

A crise abateu de formas distintas os brasileiros. Ao que parece, a população de menor poder aquisitivo foi a que menos sofreu. É o que dizem consumidores da base da pirâmide e empresários, segundo uma pesquisa do instituto LatinPanel. Entre os entrevistados, 30% da classe C afirmam que a crise afetou sua situação econômica, 28% se sentem abalados na classe A e 26% nas D e E.A conclusão do estudo, segundo Ana Fioratti, diretora da LatinPanel, é que as classes D e E podem estar se configurando como a nova classe emergente. Desde 2007 é a faixa de consumidores que mais contribuiu para o crescimento da base de faturamento do varejo. Além disso, é a parte da população com menor comprometimento das finanças com dívidas. As classes D e E correspondem a 42% da população brasileira e 34% dos consumidores. No Norte e no Nordeste, a participação chega a 61% da população e 52% do consumo. "Elas ganharam poder de compra. Para este ano, com a queda do valor da cesta básica, a previsão é que a tendência de aumento do consumo se mantenha. A conjuntura para esses consumidores é positiva", avalia Ana.Presidente do Banco Gerador, voltado às pequenas e médias prefeituras e empresas do Norte e Nordeste, Paulo Dalla Nora acompanha de perto a baixa renda. Convicto das oportunidades, lançou recentemente um cartão de crédito para as sacoleiras que se abastecem da produção têxtil da região de Caruaru (PE). "Quem compra dessas sacoleiras, que vendem calcinha a R$ 1, são as classes D e E, formadas por aposentados, funcionários públicos e beneficiados pelo Bolsa Família", diz. Segundo levantamento feito por Dalla Nora, cerca de 40% da renda nas regiões Norte e Nordeste está ligada ao Bolsa Família e ao salário mínimo. No Maranhão e no Piauí, por exemplo, 49% da população é beneficiada pelo Bolsa Família. "São pessoas que não tiveram queda de renda, ao contrário", ressalta.Desde 1º de fevereiro, o salário mínimo, reajustado em 6,4%, vale R$ 465. O aumento implica, segundo cálculos de especialistas, uma injeção de R$ 21 bilhões na economia. De acordo com o Ministério da Previdência Social, a alta do valor beneficia 25 milhões de trabalhadores formais e informais. Só entre aposentados e pensionistas, são 17,8 milhões de brasileiros. O reajuste pode elevar em até 0,2% o Produto Interno Bruto (PIB) do País.Presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann diz: "Dificilmente outras categorias terão o mesmo volume de benefícios que as classes D e E, que contaram com o aumento do mínimo."Waldir Quadros, professor de economia da Unicamp, lembra que o recém-lançado programa habitacional do governo, Minha Casa, Minha Vida, deverá fazer parte da rede de proteção desses trabalhadores, porque tem como objetivo, além de diminuir o déficit de moradia, garantir a geração de emprego para a baixa renda.BOLSA FAMÍLIASegundo o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, "o esforço do governo em gerar proteção aos mais pobres não tem a ver apenas com a necessidade de atender a uma demanda social". Há a dimensão econômica. Oferecer renda a esta parte da população garante a estabilidade econômica, "com a geração de emprego e a movimentação da economia". Hoje 11,1 milhões de famílias estão no Bolsa Família.Em abril, o presidente Lula assinou decreto para reajustar o limite máximo de renda das famílias que recebem o Bolsa Família. A partir de agora, podem se inscrever no programa as famílias com renda mensal per capita de até R$ 137. Antes, o valor teto era de R$ 120. Esta é a faixa classificada como em "situação de pobreza". Também foi reajustada a faixa daqueles classificados como em situação de "extrema pobreza", cujo teto passa de R$ 60 para R$ 69.

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