finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Crise afetará emprego e renda no País em 2009, diz economista

Sérgio Costa, da FGV, ressalta, porém, que tamanho da retração vai depender do efeito das medidas mundiais

Giuliana Vallone, do estadao.com.br ,

28 de novembro de 2008 | 08h52

A desaceleração causada pela crise financeira mundial no próximo ano vai gerar uma redução no emprego e na renda do brasileiro no próximo ano. Segundo o professor de Recursos Humanos e relações trabalhistas da FGV-SP, Sérgio Amad Costa, porém, o tamanho dessa retração vai depender do efeito das medidas adotadas por governos em todo o mundo para conter os problemas financeiros.  Veja também:Não há expectativa de desemprego no País, assegura MeirellesDesemprego em SP tem menor taxa para outubro em 16 anosDe olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise   Ele ressaltou que as intervenções realizadas nos últimos meses possuem uma dimensão jamais vista, e que a queda nos indicadores pode não ser tão drástica. Apesar disso, afirmou: o que causa essa redução é o receio dos empresários em um momento de crise, e isso não vai mudar nesse momento, mesmo com o anúncio de medidas.  Costa citou que os dados do Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho na última semana, já mostram uma redução na criação de vagas formais em outubro - o número de novos postos caiu de cerca de 200 mil em setembro para 61 mil no mês passado. "Agora em outubro foi uma queda drástica, mas é porque veio toda a notícia de uma crise e ainda não se tinha a dimensão das intervenções. Pode ser que no ano que vem a queda não seja tão drástica quanto em outubro", afirmou. De acordo com o economista, sempre que há uma crise, há um incentivo à informalidade, já que o empregador desconfia da permanência de um crescimento que lhe dê condições para honrar todos os seus compromissos. Mas a redução no ano que vem deve acontecer também no índice geral de emprego no País. Costa apontou alguns setores que, por conta de sua ligação com o crédito, devem ter retração na oferta de vagas, como o automotivo, construção civil, agricultura e comércio. "O comércio é a vitrine de tudo. Se a população parar de consumir tanto, o comércio precisa de menos pessoas para trabalhar", disse. Renda Além disso, a renda média da população também deve diminuir no ano que vem, em razão da desaceleração da economia. "Nós tivemos um período de expansão em 2006, 2007. Quando você compara com esse período, qualquer cenário para o ano que vem mostrará uma desaceleração. E isso afeta o nível de renda", afirmou Costa. "Se a gente começar 2009 sem acontecer nada de novo, mesmo assim a economia estar se retraindo. Porque a gente fica receoso, você está vendo que está acontecendo no mundo e isso influencia. É comportamental mesmo." Esse receio também vai afetar, segundo ele, os reajustes salariais no próximo ano. "Os acordos salariais vão ter resultados menos expressivos do que os registrados em 2007, 2008. Em 2007, por exemplo, mais de 90% dos acordos garantiram pelo menos a inflação, ou mais do que a inflação. Em 2008, esse número caiu para cerca de 70%, porque a inflação um pouco mais alta no começo do ano afetou. Agora, em 2009, tudo leva a crer que não vai haver essa porcentagem acima da inflação. Mesmo se o País tiver num crescimento de 3%, 3,5%", explicou. Medidas O economista elogiou as medidas tomadas pelo governo até agora para conter a crise, afirmando que elas são "sempre bem-vindas e ajudam muito". Ele ressaltou, porém, que o andamento das coisas também vai ajudar a restaurar a confiança mundial. "Você joga o dinheiro no mercado e as pessoas ficam querendo que a coisa aconteça da noite para o dia. E a repercussão disso demora um pouco também", disse. Segundo ele, mesmo que haja crédito no mercado hoje, o consumidor está desconfiado e, assim, adiando as compras que não são de primeira necessidade. "Isso afeta a eficácia das medidas agora, mas de qualquer forma, esse é o caminho." Para Costa, além das medidas já adotadas, uma reforma trabalhista também ajudaria a aumentar o emprego no País. "Quando o Brasil estava crescendo 1%, em 2000, o houve muita discussão sobre a reforma. Agora, em um momento de aceleração, todo esqueceu o assunto", afirmou. "Para ajudar o emprego de maneira realmente consistente, você tem que fazer uma reforma trabalhista neste País. Aí sim você vai dar consistência, e não medidas simplesmente paliativas, para ajudar a ter mais postos de trabalho formal no País."

Tudo o que sabemos sobre:
empregorendaFGVcrise nos EUABrasil

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.