Crise agrava problemas de saúde de executivos

Pesquisa mostra que 96% dos executivos não cuidam da alimentação e que, nos últimos 2 meses, atendimento em psicoterapia cresceu 25%

Ana Paula Lacerda, O Estadao de S.Paulo

18 de dezembro de 2008 | 00h00

A crise econômica tornou ainda mais delicada a já combalida saúde da maioria dos executivos brasileiros. Um levantamento feito com 8.727 executivos pela Omint, empresa de planos de saúde voltado para clientes das classes A e B, mostrou que 96% deles não conseguem manter uma alimentação equilibrada, 43,18% são sedentários e 31,94% têm níveis elevados de estresse. "E, nos últimos dois meses, vimos aumentar em 25% os pedidos de atendimento em psicoterapia", conta o gerente médico da Omint, Caio Soares.Segundo Soares, coordenador da pesquisa, o mundo vive uma epidemia de stress. "É difícil afirmar quanto do stress e dos efeitos sobre a saúde dos executivos são agravados pela crise, mas certamente há uma relação." E quanto mais atarefado o executivo, menos motivação ele tem para tentar sair desse círculo vicioso tomando atitudes saudáveis.Apenas um em cada quatro entrevistados diz que está buscando uma alimentação mais equilibrada, por exemplo. Outros 38,37% afirmaram que pensam no assunto, mas não tomam iniciativa. O mesmo ocorre em relação ao combate ao sedentarismo: 36,7% estão começando a praticar alguma atividade, enquanto 17,83% se preocupam pouco ou nada com isso. "Infelizmente, a maioria começa a se preocupar quando sente os problemas", diz Soares.Carlos Bernardo, principal executivo do Novotel Jaraguá, da rede Accor, sempre fez check-ups regulares. E sabia que tinha problema de colesterol. "Até cheguei a fazer exercícios entre 2006 e 2007, mas depois fui parando", conta. Este ano, o trabalho de Bernardo foi bastante intenso de janeiro a setembro, por causa do bom movimento do setor hoteleiro. "O movimento subiu 25% em relação ao ano passado." Depois, quando os efeitos da crise começaram a ser sentidos na economia, o trabalho continuou intenso para manter a performance. "Vamos fechar o ano com crescimento de 20% na comparação com 2007", conta. Mas o esforço teve um preço: o colesterol de Bernardo subiu de novo, a níveis mais elevados que os anteriores.Decidido a reverter o quadro, o executivo iniciou um programa de exercícios, e com apoio da empresa mantém os exames em dia e uma alimentação balanceada. "Quando vou caminhar, meus filhos vão comigo." Quando necessário, ainda tem academia no local de trabalho, à disposição. "Já sinto mais disposição, e recomendo que todos os executivos tomem a mesma iniciativa."Soares, da Omint, afirma que é importante que as empresas ofereçam estrutura para facilitar a melhoria de qualidade de vida de seus executivos, como oferecer acompanhamento nutricional e programas de exercícios. Ele chama a atenção também para a desinformação de muitos executivos. "Cerca de 18% das pessoas em cargo de gerência ou acima apresentaram hipertensão. Dessas, três de cada quatro não sabiam do problema."

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