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Crise ameaça negociações entre UE e Mercosul

A crise entre a Argentina e a Espanha ameaça enterrar as negociações para a criação de uma área de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Ontem, Madri solicitou que os demais 26 países do bloco suspendam as negociações com o Mercosul. Já em uma carta obtida pelo Estado, o comissário de Comércio da Europa, Karel de Gucht, alertou que a atitude protecionista da Argentina poderá fazer descarrilar a negociações com o Mercosul.

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE, GENEBRA, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2012 | 03h02

O desentendimento ocorre em torno da nacionalização da YPF pelos argentinos, em uma medida que os espanhóis alertam que poderia custar mais de US$ 10 bilhões, por conta das ações da Repsol. Ontem, em Bruxelas, o chanceler espanhol José Manuel García-Margallo disse ter conseguido o apoio da UE para que se considere levar a Argentina aos tribunais da Organização Mundial do Comércio (OMC), medida que será estudada nos próximos dias.

Mas a briga poderá respingar diretamente no Brasil. Ontem, Margallo pediu ao bloco que considere não concluir as negociações com o Mercosul e que se termine o quanto antes qualquer benefício aduaneiro para a Argentina. "Quando um país quer que o levem a sério, precisa atuar como uma grande nação", indicou o espanhol em relação à Argentina.

Margallo insistiu em apelar aos governos latino-americanos e aos demais membros da UE que mantenham seu compromisso pelo livre comércio e impeçam que "os países latino-americanos comecem a quebrar as regras do jogo". Parte da mensagem também era destinada ao Brasil e à proliferação de medidas protecionistas.

Para muitos governos europeus, o incidente pode ser a desculpa perfeita para frear negociações que, diante da crise, muitos já queriam que fossem adiadas. Na França, a ideia de abrir mercados agrícolas nesse momento é descartado. Países com alta taxa de desemprego também rejeitam qualquer liberalização.

Estabelecida há mais de uma década, a negociação emperrou em 2006, quando ficou claro que ambos os blocos não estavam dispostos a fazer concessões. Em 2011, o projeto foi reiniciado, mas sem data para ser concluído e mesmo fora das prioridades da agenda da Europa.

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