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Crise ameaça se transformar em 'desastre humanitário'

Grupo liderado por Gordon Brown alerta quanto à necessidade de se manter o auxílio a países pobres

Jamil Chade, correspondente de O Estado de S.Paulo

13 de março de 2009 | 08h11

A crise que começou no sistema financeiro ameaça agora jogar 100 milhões de pessoas na miséria e elevar o número de mortes entre crianças em até 400 mil por ano. O alerta faz parte de um relatório que será publicado nesta sexta, 13, por um grupo de políticos liderado pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, e pelo presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick. O recado dos líderes é claro: se os países ricos abandonarem a ajuda aos mais pobres diante dos problemas financeiros que atravessam, a crise que começou nos bancos pode se transformar em um "desastre humanitário".

 

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O temor do grupo é de que, com a crise financeira e a recessão, governos ricos podem interromper os fluxos de ajuda aos países em desenvolvimento, em especial aos serviços de saúde. Alguns dos países mais ricos, como os Estados Unidos, já projetam um déficit público de 10% do PIB em 2010. Para o grupo, porém, a resposta não pode ser cortar a ajuda humanitária. Se isso ocorrer, o mundo corre o risco de ter um buraco de US$ 30 bilhões até 2015 no financiamento de tratamentos de 10 milhões de mulheres e crianças.

 

"Se os sistema de saúde entrarem em colapso e a pobreza aumentar, nações não terão como construir sua infraestrutura e a pressão aumentará contra os países mais ricos diante da ameaça da crise se transformar em um desastre humanitário", afirmou o grupo.

 

"Esse dinheiro é necessário para que os serviços de saúde dos países mais pobres possam conseguir funcionar", afirma o grupo, formado no final de 2008 para estudar o financiamento aos serviços de saúde no mundo. Mesmo se todos os compromissos de ajuda forem cumpridos, os países em desenvolvimento ainda terão um buraco de US$ 7 bilhões por ano para financiar seus serviços de saúde.

 

Hoje, os países mais pobres destinam US$ 24,00 por pessoa em saúde pública. Nos países ricos, a taxa chega a US$ 4 mil. Segundo o Banco Mundial, "se a atual crise econômica persistir, entre 200 mil e 400 mil crianças a mais vão morrer por ano". O número chegaria a 2,8 milhões até 2015, se não houver investimentos dos países ricos nas economias mais pobres. "Qualquer redução nos investimentos em saúde terá uma consequência devastadora para os mais doentes e tem o potencial de jogar um novo grupo de pessoas e de nações na pobreza", alerta o grupo, formado ainda pela presidente da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, pelo primeiro-ministros da Noruega, Jens Stoltenberg, e pelo ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner.

 

Proposta

 

Segundo o grupo, novas formas de financiar o setor de saúde dos países em desenvolvimento terão de ser criados para evitar o desastre. Uma das formas seria o estabelecimento de mecanismos para atrair investidores ao setor. O grupo ainda apresentará suas propostas na Cúpula do G8, que ocorre em meados do ano na Itália.

 

Segundo os líderes, a cada três segundos, uma criança morre de uma doença que poderia ter sido evitada. 7 mil pessoas ainda são contaminadas pelo vírus HIV por dia.

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