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Crise argentina já contamina economia mexicana

As repercussões da situação econômica do Brasil e da Argentina e declarações contraditórias no governo sobre se o México se encaminha para uma crise semelhante à argentina continuam a afetar a economia do país. O peso mexicano se manteve em queda e ontem atingiu seu nível mais baixo dos últimos 18 meses, cotado a 9,95 por dólar e com uma desvalorização de 1,53% em relação à quinta-feira, com um acumulado de 3,10% na semana. A bolsa mexicana recuou ontem pelo quarto dia consecutivo. Na opinião de analistas, o endividamento elevado, altos níveis de déficit público, pressões políticas e as influências externas, seja dos países latino-americanos ou das agências de classificação de risco, investidores, FMI e governos de países desenvolvidos têm sido aspectos essenciais para o desencadeamento de uma crise que ameaça espalhar-se por toda a região. Na quinta-feira, o ministro da Fazenda do México, Francisco Gil Díaz, advertiu que o país poderia sofrer "uma problemática parecida" com a da Argentina, em especial pela necessidade de ajustar a política fiscal. As declarações do ministro foram desmentidas de imediato pelo presidente mexicano, Vicente Fox. Na opinião do ministro, a Argentina cobriu seus gastos com a venda de ativos e depois não pôde garantir o serviço da dívida, e algo semelhante poderia acontecer com o México, pela falta de recursos orçamentários. Essa afirmação obrigou o presidente Fox a declarar que "a economia está sólida? e que o nível de risco país está no seu patamar mais baixo. "Não há nenhuma preocupação desse tipo. Não temos uma situação parecida com a da Argentina", garantiu. Ontem, o ministro da Fazenda disse que suas declarações não tiveram influência no desempenho dos mercados ou na queda do peso. Garantiu que havia conversado com o presidente e esclarecido sua posição. "Não houve nenhuma contradição", disse Francisco Gil. Os analistas acreditam que as declarações do ministro e o desmentido do presidente foram o principal motivo da inquietação dos mercados e da alta do dólar. Eles descartam, no entanto, a possibilidade de que Francisco Gil venha a ser afastado do cargo, pois causaria mais transtorno nos mercados e poderia indicar uma mudança de rumo na política econômica do país. Na quinta-feira, ao comparecer ao Congresso, o ministro submeteu ao presidente Fox a sua continuidade no ministério, ante o pedido reiterado de diversos setores, inclusive do partido governista, para que renuncie ao cargo. Cúpula adiadaO governo da Venezuela decidiu adiar a reunião de cúpula do G-15, formado por países em desenvolvimento, e marcada para 13 e 14 de julho em Caracas. Segundo o ministro das Relações Exteriores do país, Roy Chaderton, "há algumas circunstâncias que tornam difícil a presença de alguns chefes de Estado". O G-15 inclui Brasil, Argélia, Argentina, Chile, Egito, Índia, Indonésia, Jamaica, Quênia, Malásia, México, Nigéria, Peru, Senegal, Venezuela e Zimbábue. O motivo para o adiamento seria a alta tensão na Venezuela, com rumores de novo golpe de Estado e instabilidade política, econômica e social. Leia o especial

Agencia Estado,

22 de junho de 2002 | 11h02

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