Crise argentina vai frear o crescimento da AL, prevê Cepal

A recessão argentina vai estagnar o crescimento econômico latino-americano este ano, conforme projeções da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). As previsões da comissão, que serão divulgadas semana que vem, mostrarão que o Produto Interno Bruto (PIB) da região avançará 0,2%, em razão da queda de 10% prevista para a Argentina. Isolando o país vizinho nas estatísticas, o PIB regional cresceria 1,7%.Na prática, a crise argentina vai sugar 90% da média de crescimento que a região poderia ter. "Pode-se dizer que o crescimento da América Latina será modesto ou insuficiente", disse o secetário-executivo da Cepal, José Antônio Ocampo. A comissão acabou de fazer as revisões de suas projeções de dezembro. A média de crescimento para 2001, antes prevista em 1%, foi reduzida com o agravamento da situação argentina para os atuais 0,2%.A Cepal, que manteve a previsão de crescimento do Brasil em 2,2% este ano, ajustou as projeções para a economia de outros países. No caso da Argentina, alterou a queda anteriormente estimada em 7% para 10%. Também reduziu as expectativas para a variação do PIB venezuelano, de crescimento de 1% para queda de 1%; e uruguaio, que ficaria estável, mas agora deverá recuar 1%, em grande parte influenciado pela performance argentina.Ocampo explicou que nos últimos cinco anos, a economia latino-americana cresceu em média 1,5% ao ano, o que, além de pequeno, é compatível apenas com o crescimento populacional da região. Para absorver o crescimento populacional, eliminar o problema do desemprego e estancar a distância tecnológica que separa os países do continente das nações mais desenvolvidas, o crescimento deveria ser de pelo menos 6% ao ano, assegura a Cepal.Um estudo da entidade mostra ainda que, para reduzir à metade a pobreza nestes países até 2015, o crescimento anual necessário ficariam entre 3,8% e 4,5%. Uma rápida olhada nas estatísticas preparadas pela Cepal para assembléia bienal que ocorrerá semana que vem em Brasília demonstra que, desde 1995, apenas em 1997 e em 2000 a economia latino-americana avançou dentro daquelas metas, respectivamente, em 5,2% e 4%.AlcaOcampo também defendeu que o livre comércio na região das Américas, desacompanhado de políticas compensatórias, além de não resolver o problema da desigualdade entre os países da região acabará aprofundando as diferenças entre de nível de desenvolvimento entre os integrantes do acordo da Alca. Por isso, defende a adoção de um fundo para investimento em países mais atrasados, estabelecimento de política de migração intra-regional e observação das diferenças de grau de desenvolvimento entre os países que poderão vir a formar a Área de Livre Comércio para as Américas (Alca).

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