Mônica Zarattini/Estadão
Mônica Zarattini/Estadão

Crise atinge todas as regiões do País, diz BC

Segundo Túlio Maciel, turbulência é marcada pela falta de confiança na economia e é diferente da crise de 2008

Fabrício de Castro, enviado especial, Impresso

02 Dezembro 2016 | 21h13

SALVADOR - A crise econômica que atinge o Brasil hoje é diferente da vista a partir de 2008, logo após a quebra do banco Lehman Brothers nos Estados Unidos. Naquela época, a turbulência atingiu de forma desigual as regiões do País, sendo que o Sudeste e o Sul tiveram queda mais acelerada na atividade. Desta vez, a crise atingiu todas as regiões de forma semelhante.

A avaliação foi feita pelo chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel, durante apresentação do Boletim Regional da instituição, em Salvador. De acordo com Maciel, a crise recente, marcada pela falta de confiança na economia, “atingiu igualmente todas as regiões”. “A crise atual tem cara distinta da de 2008”, pontuou.

Um dos aspectos citados por Maciel é a fraqueza do comércio e do setor de serviços em todas as regiões do País, do Norte ao Sul. Nos últimos dois anos, segundo ele, houve queda pronunciada no volume de serviços prestados e nas vendas do comércio. Além da falta de confiança na economia, contribuíram para isso o desemprego alto e a maior dificuldade de famílias e empresas na obtenção de crédito. “Observamos queda este ano no saldo de crédito que abrange todas as regiões", disse Maciel. "É o primeiro ano que ocorre isso.”

Os efeitos da crise acabam nítidos na economia das diferentes regiões. Dados divulgados pelo BC no boletim mostram que a atividade no Nordeste recuou 1% no trimestre encerrado em agosto, ante o trimestre terminado em maio. No Centro-Oeste, a queda foi de 2,1% e, no Sul, de 1,1%. O Sudeste registrou melhora da atividade no período, mas de apenas 0,5%, enquanto o Norte viu sua atividade avançar 1,0%, no melhor resultado entre as regiões.

“De maneira geral, todas as regiões mostram acomodação no processo de atividade, mas o Norte é a que tem desempenho recente melhor”, afirmou Maciel. “Isso se deve, primeiro, à atividade extrativa mineral, no Pará. A atividade da indústria elétrica e eletrônica também contribui para o resultado.”

Com a atividade em queda ou em recuperação apenas incipiente nas regiões, Estados e municípios enfrentam dificuldades para fechar as contas. Maciel destacou a piora nos resultados primários (diferença entre receitas e despesas) nas diferentes regiões de 2015 para 2016.

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