Crise atrai dinheiro chinês para a Europa

O campeonato espanhol de futebol vai fazer uma pausa extraordinária em novembro para permitir que a seleção campeã do mundo cumpra um agenda econômica inusitada. A Espanha viajará até a China para uma série de amistosos contra a seleção local em uma operação de sedução conduzida por Madri para atrair o interesse do país que mais cresce no mundo. Não é para menos: a Europa precisa de dinheiro novo para saldar suas dívidas. E a China precisa de novos mercados e acesso à tecnologia.

AE, Agencia Estado

25 de abril de 2011 | 09h02

A crise na Europa não poderia ter chegado em um melhor momento para a China. Depois de investir na África, na Ásia e na América Latina, Pequim agora volta os olhos para a Europa e promete desembarcar com força no velho continente, aproveitando a "liquidação forçada" de muitos setores que passam por sérios problemas.

Em poucos anos, os investimentos chineses no mundo se multiplicaram. Segundo levantamento da Chatham House, em Londres, passou de US$ 2 bilhões em 1990 para US$ 118 bilhões em 2007. Hoje, já estaria acima de US$ 150 bilhões, com um avanço anual de mais de US$ 20 bilhões. "Até pouco tempo atrás, víamos os chineses envolvidos prioritariamente em investimentos para obter recursos naturais. Agora, estamos vendo na Europa um novo rosto da China, com investimentos em tecnologia e estratégicos", afirmou James Zhan, diretor do Departamento de Investimentos da Organização das Nações Unidas (ONU).

Pequim já superou os Estados Unidos como maior destino das exportações europeias. Agora, anunciou que fará parte do esforço de resgate das economias mais frágeis da Europa. No fim de 2010, anunciou que compraria títulos da dívida de Portugal, em plena crise e ameaçado por um calote. Na Grécia, a China já deu indicações de que quer aproveitar a "liquidação" que Atenas fará para privatizar empresas, portos, aeroportos, estradas e dezenas de negócios que estavam nas mãos do Estado. O Fundo Monetário Internacional (FMI) exigiu a venda das "pratas da família" pelos gregos para liberar parte do resgate à economia local. Agora, parte dessas empresas pode ir para mãos chinesas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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