Crise atual vai elevar indigência, prevê Cepal

A crise financeira internacional vai provocar entre os mais pobres da América Latina e do Caribe um impacto maior do que o causado em 2008 pela quebra do banco de investimentos americano Lehman Brothers.

IURI DANTAS / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2011 | 03h06

O número de indigentes pode crescer em 3 milhões este ano, número superior aos 2 milhões de indigentes a mais registrado em 2009.

Os dados constam de relatório divulgado ontem pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). Segundo o documento, o número de pobres continua a cair e deve fechar o ano em 30,4% da população, o menor nível dos últimos 20 anos.

Já o porcentual de indigentes deve crescer dos 12,3% do ano passado e atingir 12,8% em 2011. O principal motivo para a inflexão foi o preço dos alimentos, segundo Carlos Mussi, diretor do escritório da Cepal em Brasília.

"Temos uma imagem de países exportadores de alimentos, mas muito são importadores", afirmou. "Muitos se beneficiam do aumento dos preços, mas outros pagam a conta."

Ao verificar a queda na taxa de pobreza desde a década de 90, a Cepal concluiu que "está diminuindo a pobreza e a desigualdade na região, e sua principal causa é, em primeiro lugar, o aumento no rendimento do trabalho e, em segundo, o incremento das transferências públicas aos setores mais vulneráveis".

Na avaliação do diretor da Cepal no Brasil, ainda não é possível mensurar os impactos da crise da dívida europeia na região. Ele estima que os países latino-americanos e caribenhos tenham menos prejuízos do que em 2008 por causa da relação comercial mais intensa que mantêm com os Estados Unidos.

A resposta à crise, por outro lado, também deve ser mais limitada uma vez que os governos já ampliaram as políticas sociais e adotaram ações anticíclicas há três anos. "Se não houver uma queda maior nos preços das commodities os países têm capacidade de continuar captando divisas."

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