Crise aumenta calote a bancos na Espanha

Empréstimos de difícil recuperação chegaram a 8,2% em fevereiro, nível mais alto desde 1994

MADRI, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2012 | 03h05

Os empréstimos de difícil recuperação dos bancos espanhóis subiram em fevereiro ao nível mais alto desde outubro de 1994, para 8,2% de suas carteiras, segundo dados do Banco da Espanha divulgados ontem.

Os bancos estão enfrentando uma nova onda de calotes enquanto a crise econômica se aprofunda e analistas afirmam que alguns podem não sobreviver conforme o governo implementa cortes de orçamento que se somarão aos problemas das famílias em quitar suas dívidas.

Os empréstimos de difícil recuperação cresceram 3,8 bilhões (US$ 4,99 bilhões) para 143,8 bilhões em fevereiro sobre o mês anterior. Em janeiro, eles totalizavam 7,9% da carteira de crédito.

A situação, motivada pelo colapso do boom imobiliário que se seguiu à crise global de 2008, está no cerne dos problemas dos bancos espanhóis, que têm tido seus pedidos de empréstimo recusados por outras instituições, forçando alguns deles a recorrer a financiamento do Banco Central Europeu (BCE).

A taxa de desemprego da Espanha é a maior da União Europeia e deve subir mais, colocando mais pressão sobre consumidores e famílias.

Na terça-feira, o Banco da Espanha aprovou todos os planos de 135 bancos espanhóis de ampliação de capital, mas informou que alguns deles podem enfrentar dificuldade para cumprir as exigências mais duras cobradas pelo governo.

Aposentados. O governo espanhol informou ontem seus planos de fazer com que mais aposentados paguem por parte do custo de medicamentos que recebem do sistema de saúde do país, na última de uma série de medidas de austeridade para economizar gastos públicos. "Sabemos que o gasto com medicamentos é excessivo e que toneladas deles acabam no lixo", disse a ministra da Saúde, Ana Mato.

Pelas novas regras, os aposentados terão de pagar 10% sobre o custo dos medicamentos. Idosos que recebem o piso da aposentadoria estão fora das medidas, enquanto os que recebem o teto mensal serão taxados em € 8 por mês, o que representa a maioria. De acordo com as estimativas do governo, os aposentados e pensionistas pagarão em média de € 2 a € 3 por mês pelos medicamentos.

Segundo Ana Mato, o objetivo das medidas é promover o uso melhor do subsídios a medicamentos, porque a expectativa é que a arrecadação do governo vai cair. Ela acrescentou que o governo conversará com os fabricantes de medicamentos para que eles possam oferecer doses menores para os tratamentos, e assim reduzir o desperdício.

Além dos pagamentos aos aposentados, Ana Mato disse que o governo implementará medidas mais pesadas para o tratamento dos não residentes, procurando evitar o que eles chamam de "turismo de saúde", o que pode resultar em cerca de € 1 bilhão em economia por ano para o país. / DOW JONES NEWSWIRES

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