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Crise aumenta desconfiança e dificulta construção da base

O governo não tem uma base de sustentação no Congresso com número suficiente para aprovar a reforma da Previdência, e crises fazem o voto a favor custar caro

João Domingos*, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2019 | 04h00

Durante a campanha eleitoral, e mesmo depois de assumir a Presidência da República, Jair Bolsonaro repetiu, ao se referir à reforma da Previdência, que a boa proposta seria aquela que tivesse condição de ser aprovada pelo Congresso. Trata-se de uma frase de efeito carregada de verdades. Só que para uma situação normal, com uma base parlamentar forte, funcionando nos trinques, e um governo pronto a debelar rapidamente crises políticas que por ventura venham a surgir.

No momento, a situação não é normal. O governo não tem uma base de sustentação no Congresso com número suficiente para aprovar a reforma da Previdência, como bem reconhece o líder do PSL, Delegado Waldir (GO). Enfrenta, ainda, crises políticas atrás de crises, surgidas não da relação sempre conflituosa entre o Congresso e o Executivo, mas da família, ora de um filho, ora de outro.

Agora mesmo a Praça dos Três Poderes pega fogo porque o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) desmentiu pelas redes sociais o ministro Gustavo Bebianno. O pai o apoiou. O PSL, partido de Bolsonaro, defendeu Bebianno. O núcleo militar também ficou com o ministro. E agora?

Agora é que crises desse tipo, que enfraquecem o governo, mais a certeza de que não há número ainda suficiente para aprovar o projeto de reforma, fazem o voto a favor custar caro. O próprio líder Waldir admitiu que não haverá outro jeito de montar uma base no Congresso sem que sejam oferecidos cargos no governo e liberação do dinheiro das emendas parlamentares.

É possível que nunca uma proposta de reforma da Previdência tenha sido tão amadurecida quanto a atual. Por isso mesmo, não deveria ser tão difícil imaginar sua aprovação. Acontece que Bolsonaro tem uma articulação política ruim, que se mostrou até o momento incapaz de construir a maioria para aprovar uma emenda constitucional, que necessita de 308 votos na Câmara e 49 no Senado. Nem mesmo partidos programaticamente favoráveis ao governo, como o DEM, que comanda Câmara e Senado, ou os que pertencem ao Centrão, foram chamados à mesa para algum tipo de negociação.

Talvez Bolsonaro aguarde a adesão por gravidade. Isso só ocorrerá se o governo se mostrar forte. Mesmo assim, será preciso negociar. Com um governo enfrentando crises internas, provocadas por filhos, a desconfiança quanto à capacidade que ele tem de resolver problemas domésticos só aumentará. O que aumentará também a dificuldade para construir uma maioria segura.

*COLUNISTA DO BROADCAST POLÍTICO

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