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Crise chega às empresas brasileiras

Gerdau esperava obter nos EUA US$ 4,2 bi para comprar siderúrgica, mas teve de buscar financiamento no Brasil

Agnaldo Brito e Irany Tereza, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2029 | 00h00

A crise financeira internacional já atinge as empresas brasileiras. De grandes grupos, como Gerdau e Oi, a mineradoras de porte médio de Minas Gerais, várias companhias estão enfrentando dificuldades para obter financiamentos ou atrair investidores no exterior. Alguns negócios já estão sendo revistos ou cancelados.O caso mais emblemático é o da Gerdau, empresa de primeira linha, habituada a fazer compras no exterior. Em julho, ela anunciou a compra da siderúrgica Chaparral, nos EUA, por US$ 4,2 bilhões. Como ocorreu em outras aquisições no exterior, o dinheiro viria de empréstimos obtidos no mercado internacional. Uma das razões para a expansão da Gerdau era justamente a fartura de crédito lá fora. Desta vez, porém, o ambiente econômico mudou.Em meio às turbulências de Wall Street, os bancos que operam nos EUA exigiram mais garantias que a Gerdau estava habituada a oferecer. A Gerdau resolveu levar adiante a compra, mas mudou sua estratégia. O negócio não deverá mais ser feito pela subsidiária nos EUA, a Gerdau Ameristeel, e sim pela matriz brasileira, segundo fontes ligadas à empresa.O financiamento será concedido no Brasil, por subsidiárias de bancos estrangeiros. JP Morgan, ABN Amro e HSBC deverão conceder empréstimos à Gerdau no valor de US$ 4,2 bi. Mais da metade dos recursos - US$ 2,7 bi - será refinanciada com outros 20 bancos. As garantias serão da matriz brasileira.Em nota, a Gerdau ''''confirma que a Gerdau Ameristeel continua sendo a tomadora do financiamento que complementa o volume de recursos para a aquisição da Chaparral Steel'''', mas diz que não dará detalhes da operação, ''''que se encontra em fase final de conclusão''''.O episódio da Gerdau mostra que ficou muito mais difícil fazer negócios no exterior. Por ironia, também lançou dúvidas sobre um dos pilares do plano de internacionalização: o de buscar financiamento externo mais barato que no Brasil.''''Está mais fácil conseguir financiamento para grandes negócios no Brasil do que no exterior'''', diz Patrice Etlin, diretor do fundo especializado em compra de participações em empresas Advent, o maior da América Latina. ''''Os bancos que operam no Brasil têm menos problemas com empréstimos ruins que os bancos lá fora.''''Ainda não está claro qual é a dimensão da crise internacional, mas por via das dúvidas os investidores estão evitando correr riscos. Uma operação polêmica, como a recompra das ações de minoritários pelos controladores da Telemar (Grupo Oi), enfrenta dificuldades para ficar de pé.Para comprar os R$ 11,4 bi em ações, os controladores estão recorrendo a empréstimos no mercado internacional. Eles já tiveram de adiar a operação uma vez. Especialistas já trabalham com a possibilidade de novo adiamento do leilão,marcado para 6 de setembro.''''Acreditamos na possibilidade de adiamento'''', diz Felipe Cunha, do banco Brascan. Ele diz que, além da redução da oferta de crédito, a queda na cotação dos papéis distanciou o preço atual (R$ 41 por ação) do que foi anunciado como meta de venda: R$ 45.A Telemar não se manifesta a respeito. Uma fonte ligada ao negócio informou, porém, que o financiamento que chegou a ser anunciado não era uma proposta firme. ''''Com a crise, o mercado deu uma grande travada e o acordo para financiamento não foi concluído.''''Pérsio de Souza, sócio da Estáter - escritório que costurou a compra da Ipiranga pela Petrobrás, Braskem e Ultra -, diz que o crédito no mercado internacional ficará mais caro. No Brasil, diz ele, ficou mais difícil fazer ofertas de ações na Bolsa.Outro sinal da crise pode ser visto em Minas Gerais. Ali, foram fechadas três grandes compras de mineradoras em três meses. Antes da crise, esperava-se uma nova rodada de compras, a começar pela Minerita, posta à venda por US$ 1 bi. ''''Agora, ela não deverá mais ser vendida por este preço, porque alguns concorrentes, como os fundos mais especulativos, deixaram o negócio'''', diz uma pessoa envolvida nas negociações.O lado irônico dessa história é que, embora se espere uma redução no número de negócios, algumas empresas podem apressar conversas e baixar a bola na hora de discutir preço. ''''Tem gente achando que é melhor ter um pássaro na mão do que dois voando'''', diz José Setti Diaz, sócio do escritório Demarest & Almeida, especializado em fusões e aquisições.DINHEIRO EM JOGOUS$ 4,2 bilhõesé quanto a Gerdau pagou pela siderúrgica americana Chaparral, operação que será financiada por três bancos no BrasilUS$ 2,7 bilhõesé o valor do empréstimo concedido à Gerdau que será refinanciado por 20bancos no BrasilR$ 11,4 bilhõesé o valor que a Telemar está oferecendo pelas ações dos sócios minoritários e que depende de financiamento internacionalUS$ 1 bilhãoera o valor pedido para a venda da mineradora Minerita, negócio que pode ser afetado pela diminuição do interesse dos fundos de investimentos internacionais

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