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Crise chegou ao Brasil, diz a britânica ''Economist''

A revista britânica The Economist afirma que a crise financeira internacional desembarcou no Brasil, apesar da confiança inicial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chegou a chamar a turbulência global de "crise do (presidente dos Estados Unidos) Bush". Só que desta vez o problema é o setor privado, e não as finanças públicas, diz a publicação na edição que chegou às bancas ontem. "O crédito está ficando cada vez mais escasso e os bancos cada vez mais desconfiados", diz o texto, intitulado "A crise de crédito chega ao Brasil privado". A revista cita a fusão do Itaú e Unibanco - que deve criar a maior instituição financeira da América Latina e uma das 20 maiores do mundo -, reproduzindo frase de Roberto Setubal, do Itaú, na qual ele afirma que a crise acelerou o processo. Para a revista, o negócio deve alavancar uma nova onda de fusões no sistema bancário no País. O texto também informa que empresas da Zona Franca de Manaus deram férias coletivas aos empregados, o que acontece pela primeira vez em três décadas. EFEITOS REPENTINOS A publicação britânica afirma que os efeitos da crise no Brasil começaram repentinamente, depois de um período em que "a economia brasileira estava crescendo no passo mais rápido desde meados dos anos 1990, ajudada pelo preço recorde das commodities e pelo crescimento de crédito". "Os problemas começaram de repente, no mês passado, com a venda em massa de ações brasileiras e investidores estrangeiros fugindo para cobrir perdas em outros lugares ou apenas voltando para casa." Segundo a revista, a desvalorização do real provocou perdas inesperadas nos contratos de derivativos em moeda estrangeira, que eram usados para tentar limitar a exposição de companhias brasileiras aos altos e baixos do dólar. "Enquanto o real estava se valorizando, esses contratos pareciam uma boa aposta, mas as companhias ficaram com uma falsa sensação de segurança", disse Marcelo Carvalho, do Morgan Stanley, à publicação. A Economist afirma que 200 empresas fizeram esse tipo de contrato, e algumas tiveram grandes prejuízos. "O temor sobre quantas outras podem apresentar prejuízos espalhou mais medo e fez com que os bancos reduzissem os empréstimos." MEDIDAS DO GOVERNO Segundo a Economist, os membros do governo não estão mais dizendo que o Brasil não será afetado pela recessão global. A revista cita o fato de o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, ter confirmado, no fim de outubro, que o governo vai reduzir a meta de superávit fiscal para 2009, de 4,3% para 3,8%. Outra medida citada é a injeção de dólares pelo Banco Central, para tentar estabilizar o valor da moeda. Os movimentos do governo brasileiro para permitir que bancos estatais, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, possam comprar ações de bancos em crise também são citados. A revista aponta que, no entanto, por causa de crises financeiras anteriores, a maioria dos bancos do País tem gestões bastante conservadoras, o que torna improváveis falências de grandes instituições financeiras no momento. "Com a estabilidade financeira, muitas empresas fizeram dívidas em dólar e contratos de derivativos. O resultado é uma novidade para o Brasil: um problema financeiro causado pelo setor privado e não pelo público. É um progresso, de alguma forma", diz a revista.

Londres, O Estadao de S.Paulo

08 de novembro de 2008 | 00h00

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