Crise chinesa pode afetar mais o Brasil, diz Goldman

Desequilíbrios internos e, ao mesmo tempo, grande exposição à China por meio do comércio exterior explicam a situação frágil de alguns países

Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2015 | 02h02

LONDRES - O banco Goldman Sachs entende que a situação econômica desfavorável na China vai respingar em diversas economias. Mas o banco destaca Brasil, África do Sul, Colômbia, Chile, Coreia do Sul, Tailândia, Taiwan e Malásia como os países mais vulneráveis. Desequilíbrios internos e, ao mesmo tempo, grande exposição à China por meio do comércio exterior explicam a situação frágil desses países, dizem os analistas da instituição financeira.

"Os riscos provenientes da China são mais graves para os países que também têm desequilíbrios macroeconômicos preexistentes, sejam eles internos ou externos", dizem os analistas do Goldman Sachs, Noah Weisberger e Sharon Yin, em relatório enviado que destacou a lista "não tão pequena" com oito países. O banco destacou que, além dos oito citados, Rússia e Turquia também têm momento frágil. As duas economias sofrem com a China, mas a situação interna ainda é preponderante. O banco acredita que essas economias mais frágeis "devem continuar sob estresse se a atividade na China desacelerar ainda mais".

Os economistas explicam que o grupo parece pior preparado para reagir à China. No caso brasileiro, o déficit externo e a situação fiscal são destacados. "Ao contrário da China, muitos desses países têm déficit em conta corrente. Portanto, qualquer fraqueza da moeda vai colocar mais pressão sobre a demanda local. Ao mesmo tempo, as reservas são muito menores que as da China, o que torna mais difícil a defesa dessas moedas", dizem os analistas.

Reservas. Quanto às reservas internacionais, o Brasil aparece como um ponto fora da curva com montante que cobre mais de 1.000% dos compromissos externos de curto prazo. Outros países, especialmente os asiáticos, não têm situação muito confortável. Tailândia, Malásia e Indonésia, por exemplo, foram destacados por terem reservas que não cobrem nem a metade da dívida externa que vence no curto prazo.

Além disso, os economistas chamam atenção que a desaceleração chinesa terá influência direta na atividade de muitos desses países. Noah Weisberger e Sharon Yin calcularam a correlação entre o crescimento econômico de mais de 30 países com o crescimento da China.

Desde 2000, os principais países emergentes apresentaram correlação com os chineses de 0,45 - em um indicador que vai de zero (menos atrelado) a um (máxima aderência). Por país, Polônia (indicador próximo de 0,7), Índia (entre 0,6 e 0,7) e Brasil (0,6) lideram a lista. Ainda que tenham economias que parecem mais aderentes ao momento chinês, poloneses e indianos têm melhor situação fiscal e das contas externas que os brasileiros.

Nessa avaliação da correlação, economias desenvolvidas também estão expostas, mas menos, já que o indicador ficou em 0,30. "Embora seja uma medida simples, isso mostra que é mais provável que a desaceleração chinesa gere efeito entre os emergentes que entre os desenvolvidos", cita o relatório. 

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