Crise da aviação transforma empresas aéreas em "exporadoras"

A crise da aviação transformou as companhias aéreas brasileiras em exportadoras de aviões. De 1999 a 2002, as transportadoras realizaram ?exportações? de US$ 2,2 bilhões. O valor elevado reflete, basicamente, operações de devolução ou venda de jatos ao exterior, decorrentes do enxugamento da frota ou para atenuar a crise financeira. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os valores são predominantemente relativos a aviões. Quando compram jatos do exterior, estes bens entram como importação na balança comercial. No momento em que devolvem ou vendem os aviões ao exterior as operações são contabilizadas como exportações. Já os contratos de aluguel entram apenas na balança de serviços.Um exemplo recente foi o acordo fechado pela Varig com a The Boeing Company, que gerou efeito na balança no ano passado. A companhia aérea selou a venda de seis jatos próprios de grande porte para o grupo americano, no fim de 2001. Como resultado do negócio, o endividamento total da Varig, que tem a Boeing como uma das principais credores, foi reduzido em US$ 370 milhões. Como eram de propriedade da Varig, os jatos foram reexportados no momento da venda, gerando um efeito positivo para a balança e o saldo comercial do País. O acordo também previa que, ao mesmo tempo em que tornava-se dona dos aviões, a Boeing alugava de volta as mesmas aeronaves para a Varig.Estratégias para driblar a criseO consultor de aviação Paulo Roberto de Bittencourt Sampaio conta que a Varig usou, desde o fim dos anos 90, uma operação chamada ?sale and lease back? (venda da propriedade seguida de aluguel do jato) para administrar o elevado endividamento financeiro. Outra alternativa adotada no setor foi a transformação do leasing financeiro (forma de compra) em operacional (aluguel), por conta de vantagens contábeis e nas prestações.Os maiores valores de exportação concentram-se em 2000 e 2001, nos dois anos seguintes à mudança do regime cambial (janeiro de 1999). No período, os valores exportados chegaram a US$ 1,58 bilhão. A desvalorização cambial aumentou os custos dolarizados das companhias, principalmente os contratos de arrendamento, cotados na moeda americana, num momento em que as empresas aventuravam-se em agressiva guerra tarifária.Do total exportado pelas companhias aéreas brasileiras entre 1999 e 2002, US$ 983,5 milhões foram feitos pela Varig, US$ 594, 9 milhões pela Vasp, US$ 515,1 milhões TAM e US$ 93,6 milhões pela Transbrasil, em 2001, seu último ano de operação. Destas, apenas a TAM apresentou valores de importação (US$ 741 milhões) superiores aos de exportação, o que indica renovação da frota. Nas demais, as exportações são significativamente maiores.

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