Seadrill/Divulgação
Seadrill/Divulgação

Crise da Petrobrás leva fornecedor a admitir perda de até US$ 1,1 bi

Companhia norueguesa perfuradora de poços e operadora de plataformas não espera que a estatal cumpra os termos dos acordos

Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2015 | 02h04

LONDRES - A crise da Petrobrás avança para cada vez mais longe. Após o início das dificuldades financeiras em alguns fornecedores nacionais, agora estrangeiros começam a apertar o cinto. Ontem, a companhia norueguesa Seadrill anunciou que não contará mais com as receitas integrais de duas plataformas alugadas à estatal por US$ 1,28 milhão por dia e que gerariam receita de US$ 1,1 bilhão.

A perfuradora de poços e operadora de plataformas petrolíferas Seadrill explica que, diante da crise da brasileira, não espera mais que a Petrobrás cumpra prazos e termos acordados originalmente. A empresa surpreendeu investidores ao anunciar a retirada de parte dos contratos de aluguel com a Petrobrás da carteira de clientes.

Com a decisão, a Seadrill reconhece que deve receber menos da empresa brasileira e, por isso, precisa alertar os investidores. Em um curto comunicado, a empresa não esconde que os problemas administrativos da estatal estão por trás da decisão.

"Diante dos recentes acontecimentos com a Petrobrás, a empresa não acredita mais que os contratos serão concluídos no prazo ou com os termos comerciais previamente acordados", diz a nota. "A Seadrill continua a trabalhar com a Petrobrás e seus parceiros para encontrar uma solução comercial mutuamente aceitável."

A empresa não informou se os pagamentos estão sendo feitos normalmente ou se houve algum tipo de contato da Petrobrás sobre os pagamentos. O comunicado, porém, foi suficiente para derrubar a ação na Bolsa de Oslo, que fechou ontem em queda de 9,63%. Na mínima, o papel chegou a perder 13,4%.

Aluguel. São dois contratos de aluguel que tiveram baixa pela direção da Seadrill. O primeiro se refere à plataforma de exploração West Taurus. Esse contrato começou em fevereiro de 2009 e recentemente foi estendido até fevereiro de 2018. Por essa plataforma, a Petrobrás paga US$ 659,1 mil por dia.

O outro contrato encerrado é o de West Eminence. Nesse caso, o equipamento custa US$ 626,79 mil por dia e o contrato, que começou em julho de 2009, também foi estendido recentemente a julho de 2018. As duas plataformas operam numa área de exploração no alto-mar, entre São Paulo e Rio de Janeiro.

A Seadrill tem outro contrato com a Petrobrás para o Campo de Libra, nas plataformas Tellus Oeste e Carina Oeste. Esses projetos estão mantidos e as plataformas estão em construção.

O Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, procurou a Seadrill em Oslo e Londres e não obteve resposta. Procurada, a Petrobrás também não se pronunciou sobre o caso.

Mais conteúdo sobre:
PetrobrásOperação Lava Jato

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.