Crise da VarigLog já pode ter causado 800 demissões

A crise da VarigLog já teria custado a debandada de cerca de 800 funcionários, entre adesões a programas de demissão voluntária e cortes realizados pela empresa, informam sindicatos do setor aéreo. De acordo com a secretária-geral do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Selma Balbino, em torno de 700 pessoas já teriam se desligado ou foram dispensadas da VarigLog. A presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziella Baggio, conta que cerca de 100 pilotos encontraram melhores oportunidades de trabalho em outras companhias. A VarigLog foi procurada pela reportagem, mas não retornou até o começo da noite."A VarigLog demitiu muita gente, quase 30% do seu quadro. São pessoas da área de produção", afirma Selma. Segundo ela, são trabalhadores como agentes de carga e operadores de empilhadeiras, entre outros profissionais. Em contrapartida, a sindicalista diz que houve contratações para o departamento administrativo, que estaria "inchado".A preocupação com a situação da VarigLog será tema de encontro amanhã entre Graziella e a administração da empresa, representada atualmente por Eduardo Arthur Rodrigues Silva, da Martel Assessoria e Consultoria Aeronáutica, contratada pela VarigLog para tocar sua reestruturação.Graziella estima que atualmente a VarigLog tem uma frota de cinco aviões, com a possibilidade de reincorporação de outros cinco. A frota total da empresa já chegou a cerca de 20 aeronaves. "Queremos saber qual é a perspectiva de médio e curto prazo", afirma a sindicalista, estimando que o quadro de funcionários atual da empresa conta com 1,8 mil pessoas.De acordo com Graziella, o FGTS dos funcionários da VarigLog não é depositado desde julho do ano passado. Além disso, o salário de março está atrasado, assim como o pagamento da VarigLog para o fundo de pensão de seus trabalhadores, o Aerus. A dívida, estima ela, está em torno de R$ 60 milhões.Disputa na JustiçaOs acionistas da VarigLog estão em litígio judicial. De um lado, os sócios brasileiros Marco Antonio Audi, Luiz Eduardo Gallo e Marcos Haftel foram afastados da gestão da empresa pela Justiça paulista. Hoje, o Tribunal de Justiça de São Paulo negou liminar dos três acionistas que buscavam retornar à gestão da companhia, informou o Matlin.O fundo de investimentos americano Matlin Patterson, dono de 60% do capital total da empresa, é quem tem atualmente a gestão da empresa, mas seu representante, Lap Wai Chan, está fora do País. O juiz José Paulo Magano, da 17ª Vara Cível de São Paulo, havia pedido o confisco de seu passaporte, por causa de uma transferência de US$ 71 milhões de uma conta da VarigLog na Suíça para o seu fundo, o que havia sido desautorizado pelo juiz. Ainda hoje, o TJ de São Paulo concedeu liminar a Chan impedindo a apreensão de seu passaporte, informou o fundo americano.

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