Crise da Vasp afetou lucro da Infraero em 2004

A crise financeira da Vasp afetou o lucro da Infraero em 2004, que foi de apenas R$ 4,45 milhões. O resultado é 97% inferior aos R$ 188,73 milhões de lucro obtidos em 2003. A empresa reconheceu em seu balanço, publicado nesta terça-feira, que dificilmente receberá um crédito de R$ 66,8 milhões da companhia aérea que deixou de voar regularmente com passageiros em janeiro deste ano. "Adotamos a postura cautelosa em relação a esse crédito para evitar que ele se torne um prejuízo maior no futuro", explicou o diretor financeiro da Infraero, Adenauher Nunes.Além da dívida da Vasp, disse o diretor, também contou para reduzir o lucro da estatal o aumento de investimentos feitos com recursos próprios da empresa na modernização e reaparelhamento de aeroportos brasileiros. Segundo ele, como os terminais não são propriedade da Infraero, mas da União, esses investimentos devem ser contabilizados como "despesas operacionais" e, assim, afetam o resultado final. Em 2004, foram aplicados na melhoria da infra-estrutura aeroportuária R$ 474,7 milhões, cerca de 3% mais que o volume investido em 2003. Desse total, destacou o diretor, R$ 260 milhões foram recursos da própria Infraero enquanto no ano anterior foram aplicados dessa mesma fonte apenas R$ 96,7 milhões.Como reflexo do aumento no comércio exterior do País e do crescimento no número de passageiros, a Infraero arrecadou 10,6% em receitas operacionais. Por armazenagem de cargas importadas e exportadas, por exemplo, a estatal obteve R$ 450 milhões, cerca de 17% mais que em 2003. O aluguel de lojas nas dependências dos aeroportos rendeu R$ 406 milhões contra R$ 367 milhões em 2003. O aumento no fluxo de passageiros e nos vôos fez a Infraero obter R$ 294,2 milhões com taxas de embarque e R$ 237,1 milhões com tarifas cobradas por pouso e permanência das aeronaves, elevação de cerca de 7% nas duas cifras contra 2003.Abertura de capital - O Conselho de Administração da Infraero deverá analisar até o dia 24 deste mês a proposta de abertura do capital da estatal. A idéia é negociar entre 30% e 40% das ações no mercado financeiro para captar novos recursos e capitalizar a empresa. O dinheiro seria aplicado também na ampliação dos aeroportos. "É o que julgamos razoável para tornar a empresa uma sociedade de economia mista de capital aberto", afirmou o diretor Adenauher Nunes, acrescentando que a União continuaria com o controle acionário da estatal. Se for aprovado pelo Conselho, o projeto ainda terá que ser submetido à equipe econômica e ao Congresso Nacional, já que qualquer mudança de gestão na Infraero só poder ser feita mediante uma nova lei.Paralelamente, o Senado discute um projeto de lei que determina que a administração dos aeroportos - hoje exclusiva da Infraero - seja privatizada. Pelo projeto, já aprovado na Câmara, que cria a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Infraero passaria a ser mais uma concorrente nas licitações para administração dos terminais de passageiros e cargas. O produto das concessões será uma das fontes de renda da nova agência. O projeto prevê ainda um novo impacto no faturamento da Infraero, pois determina que 50% da arrecadação da empresa e das futuras concessionárias dos aeroportos com tarifas de embarques internacionais e nacionais sejam destinados à Anac.

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