Crise das dívidas na zona do euro cresce e Ibovepa perde 0,75%

Cenário:

ALESSANDRA TARABORELLI , O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2012 | 03h08

A percepção de que a crise de endividamento da zona do euro está se agravando, ao mesmo tempo em que dados de atividade na Europa sugerem recessão, arrastou as bolsas de valores globais para o vermelho e sustentou o dólar em alta ontem. Com os investidores se distanciado dos ativos de maior risco, o Ibovespa perdeu a marca dos 53 mil pontos já na primeira hora do pregão e fechou em níveis que não eram tocados desde 28 de junho, há quase um mês. Aos 52.638 pontos no encerramento dos negócios, a Bolsa somou perda de quase 5% em apenas três dias. Somente ontem a queda foi de 0,75%, com Vale apresentando-se como destaque de baixa. As ações ON da empresa caíram 4,88% e as PNA recuaram 4,69%,

Em reação à busca por proteção em escala global, o dólar foi alçado também ao maior nível desde 28 de junho, encerrando o dia em alta de 0,44% ante o real, cotado a R$ 2,0480. Em grande medida, nos mercados acionários e de moedas no exterior, os dados favoráveis do setor de manufatura na China em julho foram ofuscados pela combinação formada pelos temores ligados à solvência da Espanha e da Grécia. Também influenciou negativamente a decepção do mercado com os números da atividade industrial na zona do euro, em especial na Alemanha, e nos Estados Unidos.

Além disso, ganham força na mídia espanhola as considerações de que o país buscará um resgate total, caso o Banco Central Europeu (BCE) não retome as compras de títulos soberanos para conter a escalada da taxa de retorno aos investidores e evitar o colapso financeiro.

Quanto à Grécia, a visão predominante é a de que o país provavelmente não honrará suas metas fiscais, o que ameaçaria o futuro da ajuda financeira internacional. Ontem, representantes da União Europeia (UE), do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Central Europeu (BCE), a Troica, chegaram ao país para avaliar a situação.

Neste ambiente, o euro tocou o menor nível em dois anos ante o dólar, os principais índices acionários em Nova York perderam quase 1% e a taxa de retorno dos títulos de 10 anos do governo norte-americano testou a mínima histórica. No mercado doméstico de juros futuros, as taxas tiveram ganhos pontuais, num pregão de baixa liquidez. Ainda assim, segue firme a aposta de corte da Selic em 0,50 ponto porcentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em agosto. Para outubro, as apostas estão divididas entre a manutenção da taxa básica e um corte adicional de 0,25 ponto.

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