Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Crise de abastecimento do milho pode durar 2 anos

A crise de abastecimento do milho que começou este ano deve se prolongar por pelo menos mais 2 anos. É o que sugerem as projeções das grandes indústrias multinacionais que produzem sementes de alta tecnologia. Depois de dois anos de encalhes, as indústrias sementeiras vão reduzir a produção. O resultado será uma menor oferta para o plantio da próxima safra, que acontece no segundo semestre de 2003. A decisão das indústrias limita as chances de recuperação da oferta de milho em 2004. Na safra de verão 2002/03, que está terminando de ser plantada, a área com híbridos, tipos de milho de alta tecnologia, deve ficar em torno de 5,25 milhões de hectares, segundo o gerente de comercialização de sementes de milho da Monsanto, Paulo Cau. A área é 9,5% menor do que a estimada para a safra 2001/02. Os híbridos ocupam a cada ano entre 60% e 65% da área plantada no País e são responsáveis por uma parcela ainda maior da produção nacional.Soja dá mais dinheiroDe acordo com o diretor de marketing da Syngenta Seeds, Jorge de Souza, a redução da área plantada, que ocorre pelo segundo ano consecutivo, ocorreu de forma inesperada. Ele observa que o produtor é confrontado anualmente com a escolha de plantar milho ou soja. "A desvalorização cambial em 2001 e 2002 aumentou o interesse pela soja, que é produto eminentemente de exportação", disse.Para evitar novo encalhe, Souza afirma que a indústria deve reduzir a produção de sementes para a safra de verão 2003/04. "A oferta deve permitir apenas a repetição da área de híbridos plantada em 2001/02", disse.SafrinhaEmbora o País também plante anualmente uma segunda safra de milho, batizada de safrinha, a safra de verão é a mais produtiva e segura, assegurando 75% da oferta anual. O rendimento da safrinha depende de uma combinação de fatores climáticos, que impeça o milho de sofrer com baixas temperaturas ou falta de umidade. O governo admitiu semana passada que haverá um déficit de 1 milhão de toneladas de milho até a entrada da próxima safra, em fevereiro, provocado pela queda de produção este ano e pelo aumento das exportações. Nesta semana, a crise começou a tomar proporções mais graves, atingindo as indústrias gaúchas.A Companhia Minuano de Alimentos decidiu paralisar o abate de frangos na fábrica de Passo Fundo e a Chapecó deu férias coletivas aos funcionários da fábrica em Santa Rosa. Neste cenário, o governo analisa a redução temporária de tarifas de importação do cereal de fora do Mercosul, para diminuir a crise. Frango e suínoA produção do ano que vem indica que o cenário de escassez deve continuar, limitando a possibilidade de crescimento da indústria de carne de frango e de suínos. Para o sócio-diretor da Agroconsult, André Pessôa, vai haver um ajuste na oferta de aves no próximo ano, por causa da falta de milho. "O alojamento de frangos deve cair, e isso vai acabar se traduzindo em um menor consumo de milho", prevê.Para ele, o consumo, que deve fechar 2002 em 34,5 milhões de toneladas, pode cair para 33,3 milhões de toneladas em 2003. Pessôa afirmou que se houver uma retomada do plantio na safra 2003/04, nos níveis de 2001/02, a tendência é que a indústria avícola retome a atividade deste ano. "Em todo caso, não deverá haver crescimento na produção de frangos", disse.OtimismoPessôa afirmou que a indústria de sementes está sendo "muito otimista" em apostar que a área de híbridos voltará a 5,8 milhões de hectares em 2003/04. "Isto seria uma recuperação de 10%, muito pouco provável diante do cenário de preços da soja para o ano que vem", disse. O economista Fernando Homem de Melo, especialista em agricultura da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (FEA-USP), considerou negativo o cenário traçado para os próximos anos. "Estes números sugerem que o Brasil não vai alcançar uma produção de milho entre 40 e 42 milhões de toneladas, que consolidaria a cultura", disse.

Agencia Estado,

14 de novembro de 2002 | 15h43

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.