Crise de crédito pode reduzir investimento em etanol, diz Unica

Restrições poderiam reduzir a velocidade dos recursos da indústria no Brasil e favorecer fusões no setor

REUTERS

14 Outubro 2008 | 18h46

As restrições a crédito resultantes da crise financeira global poderiam reduzir a velocidade dos investimentos na indústria de etanol do Brasil e favorecer fusões no setor, afirmou o presidente da Unica, Marcos Jank, nesta terça-feira. "As decisões de investimentos tomadas no passado vão acontecer, mas é possível que, a partir de agora, não haja um fluxo para novos projetos, não apenas devido à escassez de crédito, mas também pelos preços baixos nos últimos dois anos", declarou o presidente da entidade que representa as usinas do Centro-Sul do país. "O setor está muito alavancado, e o aperto de crédito preocupa", acrescentou ele a jornalistas, no intervalo de um seminário em São Paulo. O setor de cana do Brasil cresceu nos últimos anos devido à crescente demanda doméstica pelo biocombustível e com as perspectivas de crescimento nas exportações. Os investimentos no setor são estimados em 33 bilhões de dólares entre 2005 e 2012, por diversos investidores, que incluem fundos de private equity, tradings e companhias de petróleo. Neste ano, 29 usinas entraram em operação, de um total de 80 planejadas até 2012. Um aumento nas fusões entre companhias de etanol também é possível, disse Jank, uma vez que o crédito curto faz de algumas empresas alvo de aquisições. "Toda crise causa um aumento na concentração. As companhias têm que se reagrupar e melhorar a administração." "Mas entendemos que os fundamentos para açúcar e etanol continuam fortes", acrescentou o executivo. (Reportagem de Inaê Riveras)

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