Crise de emergentes já afeta PIB europeu

A desaceleração das economias emergentes já contamina a expansão do PIB na Europa. Neste fim de semana, governos do G-20 vão aprovar novo pacto para tentar relançar a economia mundial, abandonando em parte o discurso da austeridade nos países ricos e fortalecendo pedidos que a China incentive o consumo doméstico. Com investimentos públicos e medidas fiscais, a esperança é de conter o impacto da queda dos emergentes.

Jamil Chade, CORRESPONDENTE/ GENEBRA, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2015 | 02h05

A presidente Dilma Rousseff chega à Turquia hoje e participa da cúpula do G-20, que deve acabar na segunda-feira com uma declaração dos chefes de estado e de governos por uma ação coordenada pelo crescimento.

Dados divulgados ontem mostram um crescimento mínimo na zona do euro, já impactada pela queda nas exportações aos grandes países emergentes que, por anos, possibilitaram a expansão em alguns setores europeus. Agora, a economia alemã registrou expansão de apenas 0,3% no terceiro trimestre, inferior ao do segundo trimestre.

A base exportadora da Alemanha garantiu, nos últimos cinco anos, um desemprego baixo. Mas as vendas apenas aumentavam graças aos mercados emergentes, hoje em crise. Agora, Berlim aponta para um aumento do consumo doméstico, mas insuficiente para compensar a queda nas vendas externas.

Em meados do ano, dados decepcionantes sobre a economia alemã levaram o governo de Angela Merkel a culpar as férias de verão no hemisfério norte. Mas para o economia do banco ING, Carsten Brzeski, as novas estimativas apontam que "a fraqueza na indústria alemã parece ser mais substancial". A Itália vive situação similar, com alta de apenas 0,2% e também dependente da exportação para compensar um mercado doméstico estagnado há cinco anos.

Na França, o crescimento foi de 0,3%, o que deve permitir ao país terminar o ano com expansão de 1%. Ainda assim, a taxa é inferior ao que as autoridades apontavam como o necessário para garantir a redução do desemprego, que chega a 10%.

Os dados levaram analistas a apontar para uma possível decisão do Banco Central Europeu de dar novo impulso, com a injeção de mais créditos na economia. De forma geral, o comércio do maior bloco comercial do mundo teve elevação de apenas 1% em setembro, em comparação com setembro de 2014.

Até outubro, as vendas da UE ao mercado brasileiro caíram 21%, para US$ 31 bilhões. Ao final do ano, podem ficar US$ 10 bilhões abaixo do alcançado em 2013, só no mercado nacional.

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