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Crise de energia aumenta prejuízo da Petrobras

A crise no setor elétrico brasileiro vai continuar gerando prejuízos para a Petrobras, uma das maiores investidoras do setor depois da instituição do Programa Prioritário de Termeletricidade (PPT). Em 2002, a empresa já perdeu R$ 430 milhões garantindo a rentabilidade das térmicas Eletrobolt e Macaé Merchant, ambas no Rio, e estima-se no mercado que a estatal desembolse, em 2002, cerca de R$ 1 bilhão com o pagamento pela compra e transporte do gás importado da Bolívia que não é vendido no Brasil por falta de mercado.O programa térmico, principal âncora para o consumo de gás no País, ficou antes da metade do caminho: segundo a fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), dois terços das 74 usinas autorizadas estavam com o cronograma atrasado em outubro. Destas, 39 sequer tiveram as obras iniciadas. Para o vice-presidente comercial e de novos negócios da El Paso, uma grande investidora em térmicas, Eduardo Karrer, dos 15 mil megawatts (MW) previstos no PPT, só cerca de 6 ou 7 mil sairão do papel. "E parte destas só foi concluída por que não havia como voltar atrás", disse.A redução do consumo de energia depois do racionamento foi uma das principais causas da suspensão dos investimentos em térmicas. "O mercado sumiu", destaca Karrer. A própria Petrobras, que tinha um amplo programa de investimentos, pisou no freio. Agora, assume os prejuízos. A Petrobras não quis falar sobre o assunto, mas em teleconferência com analistas, o diretor financeiro da estatal, João Nogueira Batista, admitiu que os prejuízos com as térmicas serão "recorrentes" nos balanços da companhia. "Esse mercado de energia é muito confuso", anotou.As perdas informadas pela Petrobras referem-se ao pagamento para Eletrobolt e Macaé Merchant. Quer dizer: a estatal garantiu aos investidores das usinas - Enron e El Paso - uma rentabilidade mínima, que deve ser paga pela própria Petrobras se estas não estiverem gerando energia a preços competitivos. "Enquanto os preços da energia estiverem como estão, vamos continuar, infelizmente, pagando capacity", alertou Batista.Com as térmicas paradas por falta de competitividade, o Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol) mantém sua ociosidade em alta, com menos importação de gás boliviano. A estatal importa atualmente cerca de 13 milhões de metros cúbicos por dia, quando deveria estar trazendo, segundo o contrato, 24 milhões de metros cúbicos diários. O contrato com fornecedores bolivianos e com a Transportadora do Gasoduto Brasil-Bolívia (TBG), controladora da tubulação, prevê o pagamento de 70% do gás e de 95% do serviço de transporte previstos, mesmo sem utilizá-los. Segundo as contas de dois especialistas no mercado de gás natural, o pagamento pelos serviços não utilizados deve superar os R$ 1 bilhão em 2002 e podem crescer em 2003, quando o Gasbol atinge a capacidade máxima de 30 milhões de metros cúbicos por dia.Este pagamento, porém, não se traduz totalmente em prejuízo para a Petrobras, lembra outro executivo do setor. Uma fatia da parte dedicada ao transporte volta ao seu caixa na forma de dividendos da TBG, empresa da qual é acionista majoritária. Além disso, a importação de gás é uma forma da empresa escoar suas reservas bolivianas, que não teriam valor algum se a estatal não tivesse investido no Gasbol.

Agencia Estado,

13 de novembro de 2002 | 17h33

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