Crise de fábrica de motores ameaça minicarros da Obvio!

Montadora brasileira depende da produção da Tritec, de Campo Largo (PR), que está à venda

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2031 | 00h00

A produção de minicarros da montadora Obvio!, do Rio de Janeiro, está ameaçada com o possível encerramento das atividades da fabricante de motores Tritec, de Campo Largo (PR), que está à venda. A Tritec tem acordo exclusivo de fornecimento de motores para os carros da Obvio!, que já tem 50 mil encomendas nos EUA e outras 100 mil em negociação com a Europa e a Ásia. Uma das empresas que estariam interessadas na compra das instalações da Tritec é a Fiat, que produziria motores para seus próprios automóveis.Preocupada com os rumores de venda das instalações para uma empresa nacional e de transferência da tecnologia dos motores Tritec para grupos de fora do País, a direção da Obvio! enviou na sexta-feira citação judicial à Tritec ameaçando ir à Justiça caso a empresa não cumpra o contrato de fornecimento. A Obvio! pretende iniciar a produção dos minicarros no fim do próximo ano para entrega aos clientes em 2009.Em documento ao qual o Estado teve acesso, elaborado por um escritório de advocacia do Rio, a Obvio! avisa à direção da Tritec que "não hesitará em adotar medidas cabíveis para assegurar o cumprimento integral da proposta de fornecimento de motores, sem prejuízo da reparação de todas as perdas e danos, inclusive lucros cessantes que vier a sofrer em razão do descumprimento de seus termos no todo ou em parte."Todo o projeto dos veículos, feito em parceria com a empresa de engenharia Lotus, da Inglaterra, foi desenvolvido com base nos motores Tritec, que há até pouco tempo equipavam os modelos Mini, da BMW. Os contratos de fornecimento de componentes como a transmissão foram feitos com base no motor 1.6 de 16 válvulas produzido só pela Tritec.O documento endereçado a Sergio Hartman, diretor-técnico da Tritec, cita ainda que a própria Obvio! apresentou, em maio, proposta de aquisição da fábrica. Paralelamente, segundo fontes do mercado, a Fiat também manifestou interesse.A Fiat está com a capacidade de sua fábrica em Betim (MG) operando no limite e precisa expandir a produção de motores. Além disso, deve deixar de receber, em breve, motores 1.8 fornecidos pela General Motors. A fábrica da Tritec, além de ser uma das mais modernas na área de motores, viria com um pacote de incentivos fiscais estaduais e municipais recebidos na época de sua instalação, em 1997.Para analistas do mercado, o valor da fábrica é estimado em cerca de US$ 250 milhões. Mas, diante da situação da empresa, é difícil prever o valor de venda. Quando foi inaugurada, a fábrica consumiu investimentos de US$ 500 milhões, metade bancada pela Chrysler e metade pela BMW, que à época formaram a joint venture para a produção de motores exclusivamente para exportação.Consultada, a direção da Tritec informou que não comenta sobre providências judiciais ou extrajudiciais de escolha de seus clientes ou fornecedores. O representante da empresa, Thomás Prete, também afirmou que "a acionista Chrysler não terminou a análise de alternativas viáveis para a continuidade do negócio e que qualquer comentário nesse sentido será mera especulação sobre o futuro". A direção da Fiat limitou-se a dizer que nada consta em relação a eventuais negociações com a Tritec. O presidente da Obvio!, Ricardo Machado, não quis comentar o assunto.A produção da Tritec está parada desde 18 de junho, após o fim da joint venture entre Chrysler e BMW. Os funcionários entraram em férias coletivas e, na semana retrasada, 240 deles foram demitidos. Os 114 que restaram realizam serviços de manutenção e administrativo, disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Campo Largo, Adriano Carlesso.Há especulações no mercado de que a Chrysler possa vender as instalações para um grupo nacional e o maquinário e a tecnologia para um grupo estrangeiro. Pelo menos duas empresas internacionais já manifestaram interesse em comprar a fábrica, desmontá-la e transferi-la. Uma delas é a chinesa Lifan e a outra a russa AvtoVaz.Veja a galeria de fotos no Portal do Estadão

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