Justin Sullivan/AFP
Justin Sullivan/AFP

Crise deixa 3,8 milhões mais pobres nos EUA

Dados oficiais indicam número recorde de americanos abaixo da linha de pobreza

Denise Chrispim Marin CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2010 | 00h00

Reflexo direto da recessão mais brava desde os anos 30, os Estados Unidos registraram o aumento de 3,8 milhões de pessoas entre os que vivem abaixo da linha da pobreza. De acordo com o Census Bureau, órgão oficial de estatísticas, 43,6 milhões de habitantes foram identificados em 2009 nessas condições, o significou um recorde desde 1958.

Esse conjunto representou 14,3% da população americana - a maior taxa desde 1995 - e um aumento de 1,1 ponto porcentual em relação a 2008.

Os dados divulgados ontem não chegaram a surpreender os analistas do Census Bureau, uma vez que 2009 foi o ano de maior impacto da crise financeira na economia real.

A taxa de desemprego no país, no período, superou 10% da População Economicamente Ativa. Neste ano, os números não devem ser diferentes, em razão do ritmo ainda lento de retomada do crescimento econômico, que se refletiu na taxa de desemprego de 9,6% em agosto.

As estatísticas apontaram que a miséria nos EUA tem crescido gradualmente desde 2000, quando atingiu 11,3% da população. Os números de 2009 mostraram que essa situação envolveu de forma mais severa os hispânicos, os negros e as crianças.

Dentre os hispânicos que viviam nos EUA no período, 25,3% estavam nessa condição - 2,1 pontos porcentuais acima de 2008. Entre os negros, foram 25,8%, com aumento de 1,1 ponto na mesma comparação.

Os asiáticos nessas condições somaram 12,5% de seu grupo, sem alteração em relação a 2008. Porém, a população branca que vivia abaixo da linha de pobreza aumentou 0,6 ponto porcentual, para 9,4%.

O estudo do Census Bureau mostrou ainda que, no período, um em cada cinco habitantes com menos de 18 anos estava nessa situação de miséria em 2009. O crescimento foi de 2,7 pontos porcentuais entre 2008 e 2009, ou seja, mais 2,1 milhões de crianças vivendo nessas condições.

Renda. Os dados apontaram ainda que a renda média real das famílias foi de US$ 49,8 mil em 2009, o que representou queda de 0,7% em relação a 2008. Segundo David Johnson, chefe de Divisão no Census Bureau, a renda das famílias americanas nos dois últimos anos - 2008 e 2009 - foi comparável à dos períodos anteriores de recessão no país.

Para estimar a população abaixo da linha de pobreza, o Census Bureau relaciona a renda familiar e o tamanho da família a valores padrões, que consideram gastos com alimentação, habitação, saúde e energia, entre outros. O cálculo da renda inclui o seguro-desemprego, mas exclui benefícios concedidos pelo governo à população mais pobre, como o Selo Comida.

Dessa forma, em 2009, estava abaixo da linha de pobreza um adulto que vivia sozinho e com renda de US$ 11.161 ao ano. Também fazia parte desse grupo uma família de quatro pessoas, das quais duas crianças, com US$ 21.756 anuais. A metodologia, entretanto, vem sendo criticada. Analistas consideram que famílias nas mesmas condições, mas com o dobro da renda estipulada pelo Census Bureau, deveriam estar incluídas entre os que vivem abaixo da linha de pobreza.

Insegurança

BARACK OBAMA

PRESIDENTE DOS EUA

"Antes da recessão, o número de pobres já era inaceitavelmente alto"

"Uma recessão histórica não tem de se traduzir em aumento histórico da insegurança econômica das famílias"

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