Crise deixa evidente importância dos emergentes, diz Mantega

Para ministro da Fazenda, FMI se atrasou em detectar a crise e 'precisa de reciclagem'

Nalu Fernandes, da Agência Estado,

11 de abril de 2008 | 13h47

A crise dos mercados financeiros, com epicentro nas economias avançadas, deixa mais evidente a maior importância dos emergentes na economia mundial, na avaliação do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Em entrevista coletiva nesta sexta-feira, 11, na sede do Fundo Monetário Internacional, o ministro destacou que o FMI se atrasou em detectar a crise. "O Fundo é mais ágil para fazer propostas para os países dos mercados emergentes e em desenvolvimento e menos eficiente para (fazer recomendações) aos avançados", afirmou o ministro.   Veja também: Lula não dá palpite sobre juros, mas quer combater inflação Lula diz que alta dos alimentos é 'inflação boa' Economia global vive situação entre 'gelo e fogo', diz FMI Produção maior é saída contra inflação, diz Lula Especial sobre a crise de alimentos  Celso Ming explica a alta da inflação  Entenda os principais índices de inflação  Corte de gastos do governo poderia substituir alta de juros  Entenda a crise nos Estados Unidos     "Precisamos mudar o Fundo. O FMI precisa de reciclagem", disse Mantega. Para ele, ao fazer a reforma de cotas, o Fundo ganha maior legitimidade para lidar com outras questões, como a questão de regulamentação dos mercados financeiros globais.   O ministro afirmou que o G-7 (grupo de países mais ricos) não tem razão para existir se não abrigar, no mínimo, os países conhecidos pela sigla BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), "os grandes países emergentes, que detêm peso econômico muito importante". "Há algum tempo tenho dito que já está na hora de ampliar o G-7 para um G-8, G-10, ou G-11", disse. "Nós (Brasil) nos recusamos a participar deste fórum (G-7) como convidados para tomar o cafezinho. Só para participar de meia hora da discussão e ir embora na parte mais significativa."   Mantega ainda citou orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre esta decisão quanto às reuniões do G-7. "O presidente Lula já afirmou que nós não iremos mais para participar à margem da discussão principal. Só iremos com participantes plenos da discussão", afirmou.   O ministro enfatizou que a inclusão de países emergentes ao G-7 faz com que as resoluções do grupo sejam "mais efetivas". "É importante que todos estejam compartilhando das decisões, pois serão mais eficazes. G-11 ou G-12 será mais eficiente do que um G-7, pois terá participação da China, Índia, com peso econômico mundial reconhecido."   Crescimento   Na sede do Fundo Monetário Internacional, Mantega afirmou ainda que o País tem "infra-estrutura suficiente para dar conta de um crescimento maior da economia Brasileira". O ministro citou expansão da taxa de 5,4% em 2007 e manifestou expectativa de que manutenção do ritmo de crescimento a taxas de 5% "nos próximos anos". "Pode-se dizer que a infra-estrutura continua respondendo à altura", disse.   Mantega reconhece que questões de infra-estrutura são fundamentais para "viabilizar uma taxa de crescimento maior nos países, principalmente, países como o Brasil que ficaram muitos anos com taxas baixas de crescimento e agora estão tendo taxas de crescimento mais elevadas". Na conferência, que também incluía jornalistas de diversas partes do mundo, reunidos para o encontro de Primavera do FMI, o ministro citou o PAC como "um grande programa de investimento em infra-estrutura".   Ele adicionou que o "programa é muito bem-sucedido e vai de vento em popa". "Estamos vendo incremento dos investimentos tanto do setor privado quanto do setor público em vários segmentos da infra-estrutura. Só posso dizer que estamos respondendo à altura do desafio ao que nos foi colocado. Temos infra-estrutura suficiente para dar conta de um crescimento maior da economia Brasileira", acrescentou.   De acordo com o ministro, a economia brasileira cresceu 5,4% no ano passado e "não apresentou nenhum ponto de estrangulamento na infra-estrutura". "Pode-se dizer que a infra-estrutura continua respondendo à altura. Os investimentos já estão amadurecendo e postos em ação".   De acordo com Mantega, o horizonte de projeções trabalhado pelo governo para infra-estrutura é "de cinco a dez anos". "Podemos dizer que mantendo o ritmo de crescimento em torno de 5% da economia brasileira, que é o que esperamos que aconteça no ano de 2008 e nos próximos anos, a economia brasileira conseguirá produzir a infra-estrutura que poderá dar conta de manter este crescimento sustentável sem pontos de estrangulamento".

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