Crise derruba mais um grupo agrícola

Grupo Guimarães, de Mato Grosso, entra em recuperação judicial

Fátima Lessa, CUIABÁ, O Estadao de S.Paulo

05 de junho de 2009 | 00h00

Com uma dívida de R$ 278 milhões com bancos, factoring, fabricantes de máquinas agrícolas, indústrias de insumos e tradings, o Grupo Guimarães, de Mato Grosso, entrou em recuperação judicial esta semana. O grupo conseguiu na terceira vara da comarca de Lucas de Rio Verde, a 360 quilômetros de Cuiabá, a suspensão total de ações e execuções contra suas cinco empresas e oito sócios, além da retirada desses nomes das listas de restrições ao crédito e dos serviços de protestos. O pedido de recuperação judicial foi aprovado pelo juiz André Costa Gayva.A recuperação inclui as revendas de máquinas da Massey Ferguson nos municípios mato-grossenses de Rondonópolis, Primavera do Leste, Paranatinga, Lucas do Rio Verde e Sorriso, além de Rio Verde, em Goiás. Entram também uma algodoeira, três fazendas com 28 mil hectares e um confinamento de gado com capacidade para até 73 mil bois. De acordo com informações do advogado da ERS Consultoria, Euclides Ribeiro Junior, o grupo se comprometeu a apresentar, num prazo de 60 dias, um plano para pagar os credores em até 20 anos..De acordo com o advogado, a fabricante de máquinas Massey Ferguson, para quem o grupo deve R$ 23 milhões, já teria acenado que vai continuar vendendo e dando as garantias e a assistência técnica necessária. O grupo deve também R$ 20 milhões para o fabricante de equipamentos Jacto, além de dívidas com indústrias agrícolas e a trading Noble. Tanto o advogado como o controlador do grupo, o empresário Orcival Guimarães, afirmam que a situação chegou a esse limite "por causa da instabilidade do câmbio, da crise financeira e das dificuldades logísticas enfrentadas" pelas empresas do grupo, que atua na linha de produção, comercialização e transformação de produtos agropecuários. Fundado em 1981 no município de Rondonópolis, a 210 quilômetros de Cuiabá, como revendedora de máquinas usadas, o grupo tem hoje 350 funcionários. Antes da crise, eram 900.

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